Literatura brasileira: os clássicos que todo leitor deveria conhecer
A literatura brasileira produziu obras extraordinárias que dialogam com o melhor da literatura mundial. Um guia pelos clássicos essenciais, do Romantismo ao Modernismo.
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Transitando entre a criação poética, a transcriação, a crítica social e a política, “Pós Poemas” nos faz mergulhar novamente no universo “verbivocovisual” do grande poeta brasileiro, um espaço de sensações e inspirações múltiplas que surpreendem pela força poética e visual, e pela imensa carga lírica, social e política. Augusto de Campos nunca fugiu de temas controversos ou da disputa na arena política. Ao contrário, faz-se presente e atuante com soluções sofisticadas e plasticamente impecáveis. Assim como os demais livros da tetralogia, “Despoesia”, “Não” e “Outro”, o formato do livro é pensado como uma obra de arte em si mesma, colorido e impresso em papel couchê é visualmente conectado a poesia e história de Augusto de Campos. Tantas décadas de produção e o poeta não envelhece nem na forma nem no conteúdo. Feliz da nação que tem um criador dessa envergadura produzindo em sua língua.
AUGUSTO DE CAMPOS, por ele mesmo: Poeta, ensaísta e tradutor. Com Haroldo de Campos e Décio Pignatari, lançou em 1952 o livro-revista NOIGANDRES, origem do grupo literário que iniciou o movimento internacional da POESIA CONCRETA. Em 1953 produziu a série de poemas em cores, POETAMENOS, primeira manifestação da poesia concreta brasileira. Em 1956 participou da organização da 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna, em São Paulo, que reuniu pintores, escultores e poetas. Sua produção poética, iniciada em 1951 com o livro O REI MENOS O REINO, está coligida principalmente em VIVA VAIA (1949-79, DESPOESIA (1994) e NÃO (2003); e ainda em POEMÓBILES e CAIXA PRETA, coleções de poemas-objetos, em colaboração com Julio Plaza, primeiramente publicados em 1974 e 1975, respectivamente. Tradutor de poetas modernos, como Pound, Cummings, Maiakóvski, Joyce, Gertrude Stein, dedicou–se ainda à recriação de textos dos grandes inventores do passado, dos trovadores provençais, como Arnaut Daniel, e dos clássicos, como Dante Alighieri e Guido Cavalcanti, aos “poetas metafísicos”, Donne e outros, e aos grandes simbolistas como Mallarmé, Rimbaud e Corbière, destacando–se nessa área as suas coletâneas de ensaios e traduções criativas publicadas por esta editora, VERSO REVERSO CONTROVERSO, RIMBAUD LIVRE, HOPKINS: A BELEZA DIFÍCIL, AUGUST STRAMM: POEMAS-ESTALACTITES e COISAS E ANJOS DE RILKE. Outros livros editados pela Perspectiva reúnem suas incursões na poesia de língua russa: POEMAS DE MAIAKÓVSKI e POESIA RUSSA MODERNA (com Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman) e POESIA DA RECUSA, que inclui ainda outros autores significativos para a poesia de invenção, do barroco Quirinus Kuhlmann a Gertrude Stein e Dylan Thomas. Também editados pela Perspectiva, PANAROMA DO FINNEGANS WAKE, com Haroldo de Campos, reúne suas traduções da obra mais inovadora de James Joyce, e MALLARMÉ, na companhia de Haroldo de Campos e Décio Pignatari. Como ensaísta, é coautor de TEORIA DA POESIA CONCRETA, com Haroldo e Décio, e autor de outros livros tratando de poesia de vanguarda e de invenção, como POESIA ANTIPOESIA ANTROPOFAGIA, O ANTICRÍTICO, LINGUAVIAGEM, À MARGEM DA MARGEM. Com Haroldo e Décio lutou pela revalorização da obra de Oswald de Andrade. Repôs em circulação a obra dispersa do poeta simbolista Pedro Kilkerry, em RE-VISÃO DE KILKERRY, reavaliou Patrícia Galvão em PAGU: VIDA-OBRA e, junto com Haroldo de Campos, redescobriu a obra olvidada do poeta maranhense Sousândrade, e seu hoje célebre “Inferno de Wall Street”, em RE–VISÃO DE SOUSÂNDRADE, cuja mais nova edição tem a rubrica desta editora. Pela Perspectiva saíram também os seus estudos sobre música: BALANÇO DA BOSSA (E OUTRAS BOSSAS), que, sob sua organização, reuniu estudos pioneiros sobre o Tropicalismo e a MPB e suas intervenções no campo da música contemporânea, com destaque para a obra de Charles Ives, Anton Webern e dos compositores brasileiros do grupo “Música Nova”; e MÚSICA DE INVENÇÃO, enfocando a música e a poesia de Cage e as obras radicais de Varèse, Antheil, Cowell, Nancarrow, Scelsi, Nono, Ustvólskaia, entre outros. A partir de 1980, intensificou seus experimentos com as novas mídias, apresentando seus poemas em luminosos, videotextos, neon, hologramas e laser, animações computadorizadas e eventos multimídia. Sua cooperação com Cid Campos, iniciada em 1987, ficou registrada no CD POESIA É RISCO (1995), reeditado em 2011, e se desenvolveu no espetáculo de mesmo nome — uma performance “verbivocovisual” de poesia/música/imagem, apresentada em diversas cidades do Brasil e do exterior.
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