Como criar (e manter) o hábito de leitura de uma vez por todas
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Szymon Neuman é um viúvo de guerra. Com a filha de 5 anos, deixa para trás sua Budapeste natal para morar em São Paulo. No novo país, recomeçando a vida, casa-se com a pernambucana Brenda Novinsky, união de que nascerão Boris e Anita, nos anos 1950. A história poderia parar aqui. Mas esse é apenas o começo, a designação dos protagonistas, o descortino dos cenários e das circunstâncias. Os anos 1960 vão sacudir o mundo, congelado pela Guerra Fria. Mas na casa dos Neuman a temperatura é incandescente. O patriarca sonha com uma vida estável, em que nada falte aos filhos. Brenda quer um lugar ao sol para a humanidade. Hana acredita na ciência, mas perscruta a história, que engolira sua mãe num campo da Polônia. Boris volta perturbado de um programa juvenil em Israel. Numa longa corrida de recuperação, vai se revelar no mundo – China, Estados Unidos –, depois de estarrecer o Recife dos anos de chumbo. Anita, que sonha com uma sociedade socialista, não encontra resposta aos seus anseios no sionismo. Os anos 1990 trarão descendentes que, incrustados em Higienópolis, ecoam dores e incertezas. Do apartamento do Recife, Szymon e Brenda assistem, entre fascinados e perplexos, às evoluções da família e da história. Adianta querer entender as maquinações do destino? Em quantas gerações se diluem as consequências de um sumiço de guerra? Atormentado pelas mensagens que lhe chegam do soldado Shavitt, Boris é refém da clarividência. Flertando com a política desde a adolescência, Anita vive as contradições do amor incondicional pela esquerda. E Hana, quem poderia esperar que uma intelectual europeia pudesse tomar uma decisão tão surpreendente? O Halo Âmbar encerra dor e beleza, cores e temperos. Nitidamente, os personagens escreveram suas histórias à revelia da vontade do autor. Nele, o universalismo judaico é visto e vivido de várias formas.
Fernando Dourado Filho (Garanhuns, PE - 1958) trouxe da adolescência no Recife o gosto pelas viagens. Nada o encantava tanto quanto acompanhar o movimento diário do porto. Daí vieram temporadas na Alemanha, França e Inglaterra até que a vida profissional o levou a todos os continentes. Morador de São Paulo há mais de 40 anos, considera que não verá mais o mundo que ajudou a construir. "Minha vida foi fazer do encontro uma arte. Sempre gostei de explorar lugares remotos, de atravessar fronteiras secas. Depois de 2020, a criação literária se tornou uma razão de viver. Fiquei um ano em Paris, lutando para manter o melhor da memória. Nunca a vida foi tão frágil." Especialista em negociação com culturas estrangeiras, fluente em 6 idiomas, em 1976 trabalhou como voluntário num kibutz. "Daqueles meses na Galileia até hoje, Israel não saiu mais de mim." Já sonhou em envelhecer à beira do Mediterrâneo, mas isso ficou para trás. "O lugar já não conta. Quem diria? O que restou do menino que sonhava em fugir num cargueiro de banana?" "O Halo Âmbar" é o livro de sua vida. Escrevê-lo ajudou a estruturar a passagem do tempo na pandemia. "É o livro que eu gostaria de ter achado pronto numa livraria. Na falta dele, resolvi escrevê-lo."
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