Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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Recém saído de um casamento, o autor vai passar o réveillon na Espanha. O ano de 2020 começa com uma festa no átrio da catedral de Girona. Pronto para a retomada da vida, as agruras da meia idade não o desanimam a fazer o que mais gosta. Enquanto isso, chegam da China notícias sobre um vírus que ameaça desembarcar na Europa. Onde passar a chuva? Vivendo este impasse na Hungria, ele escolhe Paris, a melhor opção para as semanas em que o medo dominaria o mundo. Semanas? Um ano mais tarde, o autor ainda estará lá. De trotamundo assumido, virou morador do Vème arrondissement, no coração da Rive Gauche. É disso que trata este riquíssimo "A Viagem Imóvel". Numa Paris sitiada pelo inimigo invisível, o imobilismo planetário não o impede de sonhar, divagar e rememorar uma vida trepidante que, como todas, também conheceu equívocos - nem sempre divertidos. Com a geografia reconfigurada, antenado nos boletins que informam pari passu a evolução da pandemia, nada o impede de nos levar a um casamento na Índia, a noites de bebedeira em Moscou e a tensas reuniões de negócios em Londres. Memorialismo e travel writing se fundem aqui num achado único. Mais do que um livro, "A Viagem Imóvel" é uma experiência transcendente.
Fernando Dourado Filho (Garanhuns, PE - 1958) apareceu para o público em 2023, com o romance "O Halo Âmbar", apontado como um dos 10 melhores livros do ano. Escreveu também "O Boiadeiro que tentou devolver o Brasil a Portugal" e "Qualquer Sensação Súbita" - todos pela AzuCo. Aos 66 anos, não faz a mínima ideia de como "A Viagem Imóvel" será recebido pelos seus leitores antigos e novos. Mais do que um livro, trata-se de uma experiência. Ambientado na Paris de 2020, nenhum livro que venha a escrever será tão difícil e pessoal. Vivendo em São Paulo há mais de 40 anos, e rodando o mundo há mais de 50, pensa em voltar um dia a viver em Pernambuco.
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