Os melhores livros de neurociência para leigos curiosos
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“Embora desconhecido no Ocidente, Leskov foi um grande mestre da narrativa, tal como Dostoiévski”, asseverou ninguém menos que Thomas Mann. Escritor independente num tempo de divisões políticas e estéticas claras, Nikolai Leskov (1831-1895) foi incompreendido pela crítica de seu tempo, já que o alto grau de experimentação de suas obras não permitia encaixá-lo na tradição da prosa realista do século XIX. Verdadeiro artífice das palavras, criou uma linguagem literária rica e pitoresca, misturando expressões da língua arcaica e da fala popular que ouviu dos mais diversos tipos humanos, com os quais tivera contato em inúmeras viagens pelo vasto território russo em seus anos de trabalho como agente comercial, ainda antes de se tornar escritor. Somente nos anos 1920 (muito antes portanto do famoso ensaio de Walter Benjamin, “O narrador”), importantes teóricos do formalismo russo como Boris Eikhenbaum e Viktor Chklóvski seriam capazes de compreender o “estranhamento” linguístico e a sofisticação dos procedimentos de composição de Leskov. Tudo isso pode ser plenamente verificado nesta nova coletânea de contos do autor, organizada, traduzida e comentada por Noé Oliveira Policarpo Polli, que assina também um alentado ensaio sobre a onomástica leskoviana — isto é, sobre os nomes dados pelo escritor a suas obras e personagens —, o qual se revela também uma análise profunda e minuciosa das histórias aqui reunidas.
Nikolai Semiónovitch Leskov nasceu em 1831, em Gorókhovo, na província de Oriol, filho de um investigador criminal. Em 1847, abandona o ginásio em Pánino e começa a trabalhar, mudando-se em seguida para Kíev. Ali frequenta como ouvinte a universidade, estuda a língua polonesa e trava conhecimento com diversos círculos de estudantes, filósofos e teólogos. Entre 1857 e 1860 trabalha como agente comercial e viaja por diversas regiões da Rússia, experiência que servirá de inspiração para muitas de suas histórias. Em 1862, já em São Petersburgo, inicia sua carreira literária, publicando contos e artigos na imprensa. Pensador independente, alguns deles o acabam indispondo com progressistas e conservadores. Em 1864, surge uma de suas obras mais conhecidas: a novela Lady Macbeth do distrito de Mtzensk. Em 1872 publica O anjo selado e uma série de textos anticlericais. Entre 1874 e 1883, trabalha no Ministério da Educação, onde acaba sendo dispensado por ser “demasiado liberal”, e nesse período lança algumas de suas mais famosas narrativas, como a novela O peregrino encantado (1873) e os contos “O canhoto vesgo de Tula e a pulga de aço” (1881), “Viagem com um niilista” (1882) e “A fera” (1883). Nos últimos anos de vida, segue produzindo contos e peças e até auxilia na edição de suas obras completas, mas, cada vez mais debilitado por uma doença cardíaca, vem a falecer em 1895.
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