Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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"O ateneu" foi publicado em capítulos, no jornal carioca A gazeta de notícias, entre 8 de abril e 18 de maio de 1888, e, devido ao reconhecimento imediato, foi editado em livro no mesmo ano. Escrito em apenas três meses, é considerado o maior romance brasileiro do século XIX depois dos romances realistas de Machado de Assis. Seu enredo consiste na recordação do período de dois anos em que o narrador, Sérgio, passa num tradicional colégio interno do Rio de Janeiro. O ingresso no Ateneu marca as descobertas amargas que acompanharão o narrador daí em diante, os sentimentos de desilusão, opressão e desconfiança, componentes da profunda solidão humana. Seu sentido é o de um ritual de passagem, em que o convívio com os colegas, os professores e o diretor definem a afirmação moral, sexual e intelectual de um menino de 11 anos. Difíceis de definir, o estilo e o significado do romance geraram uma das mais profícuas polêmicas da história da nossa literatura, aqui apresentada e antologizada cronologicamente no final do volume.
Raul d’Ávila Pompeia foi polemista radical, abolicionista e republicano. E um dos maiores escritores brasileiros do século XIX — e também um dos mais singulares. Formou-se em direito em Recife, depois de ter se transferido do Largo São Francisco, cujo corpo docente era basicamente composto por escravocratas e monarquistas ultramontanos. Além de "O Ateneu", sua obra maior, legou-nos os romances "Uma tragédia no Amazonas" (1880), "As joias da coroa" (1882), os contos "Microscópicos" (1881), os poemas em prosa "Canções sem metro" (1900), as páginas de crônicas e reflexões recolhidas em "Alma morta" (1888) e "Prosas esparsas de Raul Pompeia" (1920-21). Além de ativista político, romancista e cronista, foi professor da Escola Nacional de Belas-Artes, diretor da Biblioteca Nacional, desenhista e pintor. Os desenhos deste volume são de autoria do próprio autor. Raul Pompeia suicidou-se no Rio de Janeiro, no quarto de sua casa, na noite de natal de 1895.
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