Os melhores livros de psicologia para entender a mente humana
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Obras Completas de Luiz Gama
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«Crime» é o sétimo volume das Obras Completas de Luiz Gama, advogado negro e abolicionista, a serem lançadas em onze volumes com cerca de 800 escritos de Gama — 600 inéditos —, revelando as diversas facetas e estilos empregados pelo escritor para advogar pela grande causa de toda sua vida: a abolição da escravidão e a emancipação negra. Os textos aqui recolhidos foram divididos em oito partes, precedidas de breve apresentação, de acordo com o tema ou polêmica em que o autor esteve envolvido: discussões sobre a natureza da jurisdição, a defesa da imprensa como fórum de salvaguarda de direitos, casos de homicídio e demandas pela liberdade de escravizados, além de cartas pessoais. Duas partes merecem destaque: «A falsificação de moeda», crime de que eram acusados o fotógrafo Victor Telles e mais cinco artistas, injustamente presos, e «O roubo», em que o leitor acompanha a exaustiva investigação empreendida por Luiz Gama para a defesa do tesoureiro da alfândega de Santos, acusado do roubo milionário de 185 mil contos de réis do cofre da instituição. É nessa parte que se encontra «O misterioso roubo da alfândega de Santos», o mais longo texto já escrito pelo autor, em que ganham relevo não apenas seu já conhecido talento no direito, mas sobretudo sua personalidade investigativa.
Advogado, jurista, poeta, jornalista, Luiz Gonzaga Pinto da Gama se tornou símbolo do movimento abolicionista e da luta contra a escravidão no Brasil. Nascido em Salvador, Bahia, em 1830, foi responsável pela libertação de mais de quinhentas pessoas escravizadas. Filho de Luiza Mahin, mulher negra africana da região da Costa da Mina que lutou pela liberdade dos escravizados na Bahia na década de 1830, e de um homem branco herdeiro de uma família rica de ascendência portuguesa — cujo nome até hoje ninguém sabe —, Gama foi vendido pelo próprio pai como escravo. Passou a infância, adolescência e a primeira juventude em cativeiro até conseguir as provas de sua liberdade aos 18 anos. Trabalhou na área militar e policial e fundou diversos jornais, dentre eles "Diabo Coxo", "O Cabrião", "Democracia" e "Radical Paulistano". Em 1869, obteve licença para advogar. Dali até o fim da vida, pôde representar diversas causas legalmente nos tribunais, dentre elas os milhares de homens, mulheres e crianças negras e pardas, ilegítimas e ilegalmente escravizadas. Mais que um escritório de advocacia, o seu lugar de trabalho era um escritório da liberdade.
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