Nesse romance memorialista, Raul Pompéia faz uma crítica contundente ao autoritarismo e à estrutura rígida dos internatos, que eram moldadores dos meninos que lá estudavam e deformadores de suas personalidades. Ao sabor das memórias de Sérgio, o colégio Ateneu é apresentado como um microcosmo da sociedade. As experiências típicas da transição entre a infância e a juventude e os primeiros confrontos entre o indivíduo e a sociedade são os temas deste clássico da literatura brasileira.
Sobre Raul
Raul de Ávila Pompeia nasceu em Jacuecanga, Angra dos Reis, RJ, em 12 de abril de 1863, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 25 de dezembro de 1895. É o patrono da cadeira n. 33, por escolha do fundador Domício da Gama. Transferiu-se cedo, com a família, para a Corte e foi internado no Colégio Abílio, onde se distingue como aluno aplicado, com o gosto dos estudos e leituras, bom desenhista e caricaturista, que redigia e ilustrava do próprio punho o jornalzinho O Archote. Em 1879, transferiu-se para o Colégio Pedro II, para fazer os preparatórios, e onde se projetou como orador e publicou o seu primeiro livro, Uma tragédia no Amazonas (1880). Consagrou-se definitivamente como escritor com O Ateneu (1888). Colaborou como jornalista na imprensa de São Paulo e do Rio de Janeiro e lutou pelas causas abolicionista e republicana. Suicidou-se em 1895. A posição de Raul Pompeia, ficcionista de alturas geniais, na literatura brasileira é controvertida. A princípio a crítica o julgou pertencente ao Naturalismo, mas as qualidades artísticas presentes em sua obra fazem-no aproximar-se do Simbolismo, ficando a sua arte como a expressão típica, na literatura brasileira, do estilo impressionista.