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Memórias de Marta foi o primeiro romance de Júlia Lopes de Almeida. Escrito durante sua juventude e remodelado no final da vida, permaneceu sem reedição e sem atenção crítica por mais de setenta anos. No entanto, é uma obra de valor, que pode ser alinhada entre as mais interessantes e ricas produzidas em seu tempo. Com linguagem econômica e direta, este romance nos apresenta uma sensível compreensão das relações de classe, vistas a partir das memórias infantis, aliada a uma descrição precisa dos movimentos da mente de Marta. Devido ao delicado e complexo equilíbrio entre a visada do dentro e do fora, este livro, ao contrário do que sugeriria sua aparente simplicidade, ganha em ser lido várias vezes, pois só assim suas virtudes se revelam plenamente. Nesta edição, o estudo introdutório – que situa a obra e sua autora no quadro da literatura e da cultura brasileiras – é complementado por muitas notas ao texto do romance, que auxiliam na compreensão; por uma entrevista concedida por Júlia a um inquérito literário, já como escritora consagrada; e ainda por imagens inéditas ou pouco conhecidas, aqui reunidas pela primeira vez. Coleção Clássicos Ateliê Apresentação e Notas: Paulo Franchetti Estabelecimento de Texto: a partir da edição preparada por Profa. Rosane Saint-Denis Salomoni em 2007 para Editora Mulheres, baseada na edição revista e modificada pela Júlia Lopes de Almeida, no final de 1920, e publicada em Paris em 1930.
Júlia Lopes de Almeida, filha de portugueses ricos e cultos, nasceu em 24 de setembro de 1862, no Rio de Janeiro. Porém, quando ainda era criança, ela e sua família se mudaram para uma fazenda, em Campinas, no Estado de São Paulo. A escritora recebeu uma educação liberal e, com o apoio do pai, aos dezenove anos de idade, já escrevia para A Gazeta de Campinas, atividade intelectual incomum para as mulheres da época, uma vez que era monopolizada pelos homens. Alguns anos depois, em 1886, mudou-se para Lisboa, em Portugal, e publicou, em coautoria com a irmã, a escritora Adelina Lopes Vieira (1850-1923), o livro Contos Infantis. Por isso, é considerada uma das pioneiras da literatura infantil brasileira. Ali conheceu e se casou com o poeta português Filinto de Almeida e publicou seu primeiro livro para adultos, Traços e Iluminuras, escrito quando a autora tinha 24 anos. Retornou ao Brasil em 1888 e décadas depois, de 1913 a 1918, morou novamente em Portugal. De 1925 a 1931, fixou residência em Paris. Morreu no Rio de Janeiro, em 30 de maio de 1934, vítima de malária, possivelmente contraída em sua recente viagem à África, deixando uma obra de autoria feminina extensa e não só literária, mas também historicamente significativa.
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