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Embora tenha sido escrita na época das grandes descobertas, esta obra surgiu sem deslumbramentos: para Gil Vicente, o progresso sem ética era uma ilusão. Frente à Reforma Protestante, este auto traz a alegoria do Juízo Final como uma resposta católica ao debate cultural de seu tempo. Apesar da austeridade na defesa de certos valores religiosos, a obra permanece atual, sobretudo pela leitura sarcástica das instituições sociais. Prefácio e Notas Ivan Teixeira Ilustrações Manuel Lapa
Gil Vicente (c. 1465- c. 1536) foi ourives, autor da Custódia de Belém, e o primeiro grande dramaturgo português. É considerado o pai do teatro português. A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, fazendo-se o balanço de uma época onde as hierarquias e a ordem social eram regidas por regras inflexíveis, para uma nova sociedade onde se começa a subverter a ordem instituída, ao questioná-la. Foi o principal representante da literatura renascentista portuguesa, anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita. A Ateliê Editorial publicou as obras vicentinas Auto da Barca do Inferno, com comentários e notas do Prof. Ivan Teixeira; Gil Vicente, com comentários e notas do Prof. Segismundo Spina, apresentando três peças: Farsa de Inês Pereira, Auto da Barca do Inferno e O Velho da Horta; e Farsa de Inês Pereira, com apresentação e notas dos Profs. Izete Fragata e Carlos Minchillo.
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