Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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Salitre é um empreendimento de experimentação radical, que transforma o balneário Cassino, localizado na cidade de Rio Grande, no extremo sul global, no epicentro de uma radical experiência estética que mistura homicídios e processos ilegais de financiamento de produções artísticas com velhos dramas da vida humana. A prosa de Azevedo – com todos os seus já conhecidos componentes disruptivos – arrasta para as periferias simbólicas da pós-modernidade toda a centralidade crítica que uma obra literária pode suportar no século XXI. O autor, que foi por três vezes vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura, dobra a aposta de sua incomum e inventiva ficção. Em Salitre os procedimentos narrativos presentes nos romances anteriores do autor (a saber: Pequeno espólio do mal, de 2018; A manipulação das Ostras, de 2020; e Metal de Sacrifício, de 2023), se transformam em um jogo semiótico no qual a ousadia literária confirma o autor como um dos raros nomes capazes de reunir legitimidade antropológica com valor estético. Em tempos nos quais se discute – às vezes de forma estéril – as relações entre forma e conteúdo, Azevedo aponta, com coragem, para a urgência de uma produção contemporânea complexa, que consiga articular ambições estéticas com as demandas sociais que o mundo determina.
Luiz Mauricio Azevedo nasceu no ano da morte de John Lennon, na cidade de Cascavel. Doutor em Teoria e História Literária pela UNICAMP e pós-doutor pela UFRGS e pela USP, seus textos têm aparecido com frequência em publicações diversas, como as revistas CULT, Elle, Parêntese e TAG; e também nos jornais Folha de S.Paulo, Zero Hora e Correio do Povo. Em 2020 e 2023, Azevedo venceu o Prêmio Açorianos de literatura, na categoria Crônica. E em 2022 ele foi um dos autores convidados do programa principal da FLIP, a Festa Literária Internacional de Paraty. Azevedo foi também semifinalista do prêmio Oceanos, em 2024. Atualmente, mora em São Paulo, é vegetariano e acredita que Lee Harvey Oswald agiu sozinho.
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