Livros essenciais sobre racismo e antirracismo para entender o Brasil
Para combater o racismo, é preciso primeiro entendê-lo. Uma seleção de obras que revelam como o racismo estrutural moldou, e continua moldando, a sociedade brasileira.
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Tudo começou pela suspeita (talvez exagerada) de que os Deuses não sabiam falar. Séculos de vida fugitiva e feral tinham atrofiado neles o humano; a lua do Islã e a cruz de Roma tinham sido implacáveis com esses prófugos. Testas muito baixas, dentaduras amarelas, bigodes ralos de mulato ou de chinês e belfos bestiais mostravam como degenerara a estirpe olímpica. Os seus atributos não correspondiam a uma pobreza decorosa e decente, mas ao luxo maligno das casas de jogos e dos lupanares do Bajo. Numa botoeira sangrava um cravo; num saco justo adivinhava-se o vulto de uma adaga. Bruscamente sentimos que jogavam a sua última cartada, que eram manhosos, ignorantes e cruéis como velhos animais de presa e que, se nos deixássemos tomar pelo medo ou pela pena, acabariam por nos destruir. Tiramos os pesados revólveres (de súbito apareceram revólveres no sonho) e alegremente demos morte aos Deuses. Jorge Luis Borges Nos anos em que vive em Paris, Heinrich Heine escreve uma série de trabalhos sobre a mitologia pagã, nos quais tenta rastrear os vestígios da sobrevivência dos deuses antigos na história do ocidente. Um desses trabalhos é a sequência de narrativas intitulada Os Deuses no Exílio, em que tenta desvendar ao leitor o destino das divindades antigas depois do surgimento do cristianismo. Dessas pequenas narrativas, há duas versões, uma em alemão e outra em francês (ambas aqui traduzidas), que guardam aspectos inconfundíveis do estilo e da verve humorística do autor. Na versão francesa, ele combinou elementos de mitos germânicos e da mitologia grega, fundindo à obra trechos de um outro livro seu, Espíritos Elementares.
Christian Johann Heinrich Heine (Düsseldorf, 13 de dezembro de 1797 – Paris, 17 de fevereiro de 1856) foi um poeta romântico alemão, conhecido como “o último dos românticos”. Boa parte de sua poesia lírica, especialmente a sua obra de juventude, foi musicada por vários compositores notáveis como Robert Schumann, Franz Schubert, Felix Mendelssohn, Brahms, Hugo Wolf, Richard Wagner e, já no século XX, por José Maria Rocha Ferreira, Hans Werner Henze e Lord Berners.
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