Este livro tem um fio condutor, que é a preocupação com a clínica. Todos os textos têm outro elo comum, a teoria de Winnicott. Este psicanalista observou atentamente o desenvolvimento normal primitivo e introduziu conceitos que ampliaram o olhar sobre a psicanálise. É ele quem propõe a teoria segundo a qual o bebê e a mãe, no início, são um só, e afirma as teses da dependência absoluta do bebê dos cuidados maternos, da tendência à integração e da importância de um ambiente suficientemente bom para possibilitar o acontecer humano.
Esses conceitos ampliam, também, a possibilidade de tratarmos de pacientes cuja patologia se iniciou nos estágios mais primitivos do desenvolvimento, quando ainda não existia um self. Fazendo um paralelo da clínica com o cuidado sensível da mãe com seu bebê, ele vai concluir que, para os pacientes mais regredidos, o manejo é mais importante que as interpretações.
Podemos sentir, através da leitura deste livro, a troca viva com a clínica, que permite refletir sobre as relações entre teoria, clínica e técnica. Nos textos, identificamos os conceitos fundamentais de Winnicott, entre eles: a mãe suficientemente boa, a importância do ambiente facilitador, o processo de amadurecimento do bebê desde a primeira fase, as consequências do ambiente invasor, que provoca as reações de defesa, as distorções do desenvolvimento e o surgimento de patologias. Importantes conceitos da técnica serão, também, analisados, como: a regressão à dependência no setting, as variedades clínicas de transferências, o trabalho analítico e o espaço potencial, a comunicação entre analista e pacientes, entre outros.
Esta publicação é enriquecida com vários casos clínicos que possibilitam ver como a clínica baseada nesses conceitos acontece. Os autores dos artigos com casos clínicos tomaram todas as providências para modificar os dados de forma a preservar o anonimato dos pacientes e não ferir nenhum código de ética profissional.