Por que alunos que leem mais vão melhor em todas as matérias
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Em "O cântico da terra", Stefano Mancuso relê o poema “Cântico das criaturas”, de São Francisco de Assis, reforçando a relação do ser humano com o meio ambiente nos dias de hoje. A intuição profética de Francisco, que, nesse poema, põe o homem no mesmo nível de todas as outras criaturas - rejeitando o conceito de propriedade e pregando a parcimônia do uso dos recursos naturais - é o ponto de partida para o neurocientista vegetal defender uma tese que atravessa toda a sua obra: a vida no mundo depende das plantas. O que é essencial, diz São Francisco, é a energia do sol, o ar, a água, o fogo, a terra, os seres vivos: as plantas; depois, aqueles que perdoam e amam; e, finalmente, a morte, nossa assombrosa irmã a morte corporal, sem a qual o ciclo jamais poderia funcionar. Ao percorrer os elementos da oração, Mancuso encontra uma visão de mundo baseada na interdependência entre os seres, um manifesto ecológico que trata do tempo cíclico e da cooperação e da capacidade de adaptação, que tornam as plantas um dos princípios fundamentais da vida. Elas são capazes de transformar a energia do sol, regular a atmosfera, conservar a fertilidade do solo e criar as condições para a vida de outros seres na Terra. O poema, que atravessou oito séculos como obra fundamental da literatura italiana, mantém sua atualidade ética e política. O texto franciscano torna-se, assim, um guia para compreender nossa responsabilidade diante do planeta e repensar as formas de coexistência entre a humanidade e a natureza.
STEFANO MANCUSO nasceu em 1965, em Catanzaro, na Itália. É formado pela Università degli Studi di Firenze (UniFI). Em 2005, fundou o LINV – International Laboratory of Plant Neurobiology –, um laboratório dedicado à neurobiologia vegetal, campo de que foi fundador, e que explora a sinalização e a comunicação entre plantas em todos os seus níveis de organização biológica. Em 2012, participou da criação de uma “planta robótica”, um robô que cresce e se comporta como uma planta, para o projeto Plantoid. Em 2014, inaugurou na UniFI uma startup dedicada à biomimética vegetal, ramo de pesquisa e inovação tecnológica baseado na imitação de propriedades das plantas, desenvolvendo um modelo de estufa flutuante chamado “Jellyfish Barge”. Publicou, entre outros, os livros Verde brillante [Verde brilhante] (2013), em coautoria com Alessandra Viola; Botanica: viaggio nell’universo vegetale [Botânica: Viagem ao universo vegetal] (2017); A incrível viagem das plantas (Ubu Editora, 2018); Revolução das plantas (Ubu Editora, 2019), pelo qual recebeu o XII Prêmio Galileo de escrita literária de divulgação científica em 2018; A planta do mundo (Ubu Editora, 2021); A nação das plantas (Ubu Editora, 2024); e Fitópolis (Ubu Editora, 2026). Desde 2001, atua como professor do Departamento de Ciência e Tecnologia Agrária, Alimentar, Ambiental e Florestal da UniFI.
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