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“De cegueira em cegueira, eliminamos tanta vida do nosso horizonte intelectual que, no fim, ficamos sozinhos.” Em Fitópolis, o neurobiólogo e botânico italiano Stefano Mancuso propõe uma transformação radical na forma como concebemos as cidades, inspirada na organização das plantas. Assim surge a ideia das cidades vivas, organismos urbanos dotados de inteligência, resiliência e capacidade de adaptação, como uma estratégia concreta para combater a crise climática e reduzir o abismo que se criou entre humanos e plantas nos últimos séculos. A partir de exemplos tão diversos como as estratégias flexíveis de sobrevivência de um olival milenar na Sardenha e o processo de arborização e pedonalização das ruas de Curitiba, o autor revela como o respeito aos princípios do mundo vegetal pode redesenhar o urbanismo e a vida nas cidades. Ao criticar a rigidez das cidades projetadas como corpos animais e defender a articulação da tecnologia com a biologia e a ética, Mancuso sugere que a verdadeira evolução urbana não vem de soluções arquitetônicas voltadas para o bem-estar humano, mas de uma interação mais fluida e orgânica com a natureza, que reconheça o ser humano como parte de ecossistema mais amplo.
Stefano Mancuso nasceu em 1965, em Catanzaro, na Itália. É formado pela Università degli Studi di Firenze (UniFI). Em 2005, fundou o linv – International Laboratory of Plant Neurobiology –, um laboratório dedicado à neurobiologia vegetal, campo de que foi o fundador, e que explora a sinalização e a comunicação entre plantas em todos os seus níveis de organização biológica. Em 2012, participou da criação de uma “planta robótica”, um robô que cresce e se comporta como uma planta, para o projeto Plantoid. Em 2014, inaugurou na UniFI uma startup dedicada à biomimética vegetal, ramo de pesquisa e inovação tecnológica baseada na imitação de propriedades das plantas, desenvolvendo um modelo de estufa flutuante chamado “Jellyfish Barge”. Publicou, entre outros, os livros Verde brillante [Verde brilhante] (2013), em coautoria com Alessandra Viola; Botanica: viaggio nell’universo vegetale [Botânica: Viagem ao universo vegetal] (2017); A incrível viagem das plantas (Ubu Editora, 2018); A planta do mundo (Ubu Editora, 2021); e A nação das plantas (Ubu Editora, 2024). Em 2018, Mancuso recebeu o xii Prêmio Galileo de escrita literária de divulgação científica pelo livro Revolução das plantas (Ubu Editora, 2019). Desde 2001, atua como professor do Departamento de Ciência e Tecnologia Agrária, Alimentar, Ambiental e Florestal da Unifi.
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