Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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Nietzsche e Wagner em Bayreuth traz o texto "Richard Wagner em Bayreuth", de Nietzsche, acompanhado de um extenso ensaio do tradutor Henry Burnett sobre a relação entre Nietzsche e Richard Wagner, o lugar do compositor na modernidade e os desdobramentos de sua obra na cultura dos séculos XX e XXI. Escrito no contexto do primeiro Festival de Bayreuth, em 1876, o texto de Nietzsche é, simultaneamente, uma homenagem entusiasmada a Wagner e o prenúncio da ruptura que viria poucos anos depois. Nietzsche vê no compositor uma figura excepcional, capaz de reunir música, teatro, filosofia, mito e história em um mesmo projeto de renovação cultural. Ao mesmo tempo, porém, já se insinuam as fissuras que mais tarde se tornariam irreconciliáveis. Mais do que contextualizar a tradução, o ensaio de Burnett acompanha o processo gradual de distanciamento entre os dois, mostrando como a admiração pelo compositor se transforma, aos poucos, em uma crítica ao monumentalismo, ao nacionalismo, ao cristianismo e à relação entre arte e massas. Em vez de tratar Wagner apenas como compositor ou Nietzsche apenas como filósofo, Burnett investiga o modo como ambos se tornaram símbolos de um impasse que ainda atravessa o presente: o conflito entre arte, técnica, poder e sedução coletiva.
Henry Burnett é compositor e professor livre-docente na área de Estética e Filosofia da Arte na Unifesp. Publicou, entre outros livros, Para ler O Nascimento da Tragédia de Nietzsche (Loyola, 2012), Para ler O caso Wagner de Nietzsche (Loyola, 2018), Espelho musical do mundo (PHI, 2021) e Música só: uma travessia filosófica entre a Europa e o Brasil (Edusp, 2024), este último indicado ao Prêmio Jabuti na categoria Artes 2025. De sua produção musical têm destaque os álbuns Não para magoar (2006), Canções da infância inteira (2020) – em duo com Julia Burnett – e o álbum duplo antologia 50 solo e antologia 50 parceria (2021). Meio-dia (7letras, 2021) foi sua estreia na prosa literária.
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