Filosofia para quem não é filósofo: os melhores livros para começar
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Desafios Epistemológicos e Metodológicos aos Estudos Organizacionais
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Este estudo se propõe a realizar uma profunda discussão epistemológica e ontológica sobre a relação entre o real concreto e sua representação como real pensado, especialmente nos chamados Estudos Organizacionais, fundamentada na Ontologia e Epistemologia Crítica do Concreto – OECC enquanto uma variante do materialismo histórico e dialético. A representação da realidade encontra sua objetividade no processo de enunciação, que é mediado pela linguagem em sua condição social polissêmica. O estudo tece críticas substanciais tanto ao idealismo, que impõe preconcepções teóricas e conceituais à representação da realidade, quanto ao empirismo, que limita o conhecimento à percepção imediata e superficial dos fatos: ambas as abordagens suprimem a materialidade do objeto, resultando em uma pseudoconcreticidade, que mascara as multideterminações sociais e históricas do objeto ou fenômeno. A OECC enfatiza a primazia do real e a natureza dinâmica e contraditória da realidade, orientada pela práxis, enquanto atividade humana que simultaneamente transforma o mundo e o próprio ser social. Neste sentido epistemológico e ontológico, a linguagem e a enunciação, igualmente elementos cruciais na discussão, são apresentadas como arenas sociais e ideológicas. A enunciação não é um espelho neutro da realidade, mas uma mediação ativa e carregada de polissemia, exigindo uma Análise Crítica do Enunciado capaz de desvendar os nexos causais, as origens factuais e as múltiplas vozes que constituem a linguagem polissêmica e dialógica. Metodologicamente, a OECC concebe o Ato Epistemológico em fases dinâmicas e interativas: a “problematização” (revisão crítica do conhecimento existente), a “Investigação” (aproximação com o campo empírico através da aproximação precária, da aproximação deliberadamente construída e da apropriação do objeto pelo pensamento) e a exposição (enunciação dos resultados da investigação). Este processo dialético rejeita a fragmentação do objeto e a imposição de modelos pré-definidos, buscando uma compreensão não linear e sempre provisória, mas profundamente elaborada, da totalidade cognoscível da realidade. O estudo defende, portanto, que a produção do conhecimento (o Ato Epistemológico), deve ser rigorosa e crítica, capaz de desvelar as contradições e promover as condições materiais da transformação social.
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