Como montar um clube de leitura presencial que funciona de verdade
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O corpo fala. E quando não fala, lateja. Neste livro, não há verso inocente: cada palavra é um corte, cada pausa, um fiapo de sangue estancado na beira da boca. meu corpo é testemunha, de Mauricio Rosa, não descreve — encosta. Não narra — atravessa. Os poemas carregam a língua do Brasil mais fundo: fala de beira de estrada, feira, beco, terreiro. Misturam o rude e o terno, o facão e o cafuné, o rastro da reza e o estilhaço da blasfêmia. Há pólvora e saliva, sexo e santidade, tudo num mesmo sopro. Aqui, o verso é chão batido, é vento que levanta poeira, é pele que guarda marcas. A cadência vem de quem aprendeu a falar com as mãos, com os dentes, com o corpo inteiro. O poema se deita e se levanta como quem combate e ama no mesmo gesto. A leitura deixa vestígios — arranha, lambe, fere, consola. Porque o corpo, quando testemunha, nunca volta ileso.
Maurício Rosa nasceu em 1992 e vive em São Paulo. Aos 17 anos, ganhou um prêmio de literatura em sua cidade. Esse fato o impulsionou a pensar a escrita como uma possibilidade de carreira. Desde então, participou de diversas oficinas com escritores renomados como Marcelino Freire, Bruna Mitrano, Luiza Romão e Lilian Sais. Atualmente, dedica-se à poesia e escreveu textos para revistas especializadas como Ruído Manifesto, Quiasmo, Littera 7, Variações e Sucuru. É autor dos livros "Vamos orar pela vingança", O longo cochilo da ursa e "Na proa do trovão".
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