Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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Ao me deparar com os originais deste belo livro, de imediato me veio à lembrança um dos estudos mais completos sobre as Priapeias grega e latina, do professor João Angelo, o Falo no Jardim (Ateliê Cultural, 2006). Em meio a textos e fotografias com pinturas e esculturas da Antiguidade, encontram-se também lá poemas de outras épocas, como o de Gregório de Matos (pp. 333-7) que, respondendo a “umas freiras” sobre a definição de Priapo, diz: “Quem seu preço não entende/ não dará por ele nada;/ é como cobra enroscada,/ que em aquecendo se estende:/ é círio, quando se acende,/ é relógio, que não mente,/ é pepino de semente,/ tem cano como funil,/ é pau para tamboril,/ bate os couros lindamente.” A ideia de que o sexo é puramente divertido pode ria valer para todas as civilizações, mas é sempre arriscado dizer. Sobre os tupis brasileiros, alguns cronistas do passado afirmaram ser o grande assunto das rodas de fogueira à noite, e que todos riam muito. O livro de Alice é maravilhoso e não porque fala de sexo de maneira totalmente nua, transparente, pura e verdadeira, ou porque até nos experimentos formais ele é culto e brilhante; mesmo quando parece ingênuo em seu discurso amoroso, vê-se logo que é proposital: na busca pelo íntimo do outro, é pela ingenuidade que se resgata o olhar para o sexo como algo natural e sagrado em sua essência. E como não chamar de romântico um livro que fala nos cultos da Grécia Antiga (onde beberam os poetas do século XIX)? Como não chamar de sagrado aquilo que se associa à fertilidade da terra em tantas civilizações? Este livro transpassa uma grande experiência de vida, apesar da pouca idade da autora. Soube que eu falo surgiu como ideia e foi quase todo escrito em 2017, quando o seu veio poético passou a fluir. Se até hoje o tema da(s) masculinidade(s) lhe interessa, ele também se estende às discussões sobre a desconstrução do patriarcado, às noções tóxicas de virilidade e à busca pela humanidade dos homens. Todas essas posturas estão presentes no livro, em forma de poesia erótica e contemporânea. Filipe Moreau
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