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Chega ao mercado nova edição do livro Herança grega dos filósofos medievais, escrito pelo professor Miguel Spinelli. Esgotada há vários anos, trata-se de uma obra de referência que, muito além de ser uma História da Filosofia Medieval, constitui uma análise histórico-crítica da filosofia no contexto que se costuma chamar de medieval de sua história. A herança Do século II ao V, o Cristianismo se expandiu por todo o território romano, a ponto de tornar-se a religião oficial do Império. Assim que começou a se organizar como religião, o cristianismo constituiu para si uma elite de eruditos: aquela que veio inicialmente a ser chamada de Patrística e, logo depois, de Escolástica. A filosofia grega, sob vários aspectos, foi a maior fonte educadora desses dois momentos de erudição. Na Patrística, foram úteis os gregos e os latinos; na Escolástica, além dos gregos e latinos, também os árabes. Dos gregos, os escolásticos se valeram do status filosófico e da eloquência retórica; dos latinos, retiraram sobretudo a concepção com que consolidaram a estrutura hierárquica e jurídico-institucional da religião; dos árabes, colheram a habilidade e o método em proveito da Teologia. O professor Spinelli, um dos maiores estudiosos da filosofia medieval no país, explica que o livro se ocupa prioritariamente com o que os escolásticos herdaram da Filosofia, e com o que fizeram dessa herança. A partir desta perspectiva, o texto vai explicitar o modo como a filosofia, em particular a grega, foi submetida a uma outra intentio mentis no percurso de sua história. Nela, se investiga como os medievais aprimoraram uma habilidade que lhes foi própria: a arte da dissimulação intencional, com a qual repotencializaram conceitos filosóficos dotando-os de outras intenções e de novos significados que não os de sua origem. A obra está voltada, por um lado, para o estudo de autores latinos (tais como Cícero, Porfírio, Proclo, Boécio) cujas obras, detentoras da herança grega, legaram para a vida acadêmica dos medievais a instrução e a erudição filosófica disponíveis; por outro, para os comentadores árabes (Al-Farabi, Avicena, Averróis, Maimônides), que forneceram aos escolásticos o status filosófico e a eloquência retórica que os doutrinadores cristãos, desde a Patrística, tanto procuraram.
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