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O primeiro capítulo, de autoria de Luciana Caetano, tem por objetivo apresentar um breve resumo da Teoria do Juízo Moral de Jean Piaget e da Teoria do Domínio Social de Elliot Turiel, iniciando com uma introdução histórica e contextual das duas teorias, para, em seguida, estabelecer uma discussão teórica entre elas, apresentando pontos de divergência e convergência entre si. Nesse capítulo, o leitor poderá conhecer uma breve história da recepção da Teoria do Domínio Social no Brasil, os principais pressupostos da Teoria do Juízo Moral de Piaget, uma revisão sobre o Domínio Moral, Domínio Convencional e Domínio Pessoal, conforme os pressupostos da Teoria do Domínio Social, e um estudo comparativo das duas teorias, apresentados numa análise das convergências e divergências entre as teorias. O segundo capítulo é uma tradução do capítulo publicado pela Professora Judith Smetana no Oxford Handbook of Psychological Apresentação 17 Development (2014). Este capítulo descreve o desenvolvimento do julgamento moral por meio das lentes da Teoria do Domínio Social. A moralidade, ou conceitos de justiça, bem-estar e direitos dos indivíduos, é vista como um sistema distinto ou um domínio organizado de conhecimento social que se desenvolve separadamente das concepções de convenções sociais e de questões pessoais. Essas concepções são construídas e diferenciadas a partir das interações e experiências sociais das crianças. Neste capítulo, proposições teóricas básicas da Teoria do Domínio Social, bem como métodos utilizados para testar essas proposições estão descritos, e estudos empíricos relevantes são revisados. O capítulo destaca como a compreensão e a interpretação das crianças sobre seus mundos sociais são elaboradas, e de que maneira mudam desde a infância até a adolescência. Pressupostos informacionais e conhecimento de regularidades das consequências afetivas de diferentes eventos esclarecem sobre as considerações dos conceitos morais implicados na descrição da vida social em toda a sua complexidade e diversidade. Além disso, os conceitos morais são considerados em termos de coexistência e coordenação com outros domínios de conhecimento social. O capítulo destaca os seguintes aspectos: 1. Em todas as culturas o pensamento das crianças sobre o mundo social é diferenciado, e implica a coexistência das concepções morais, sócio- -convencionais e pessoais. 2. As concepções morais, convencionais e pessoais formam domínios distintos, ou sistemas de desenvolvimento do conhecimento social. 3. As concepções dentro de cada domínio seguem diferentes trajetórias de desenvolvimento. 4. Durante o começo da infância, as concepções morais focam principalmente no dano físico concreto e nas preocupações com o bem-estar; a partir da metade da infância, as concepções de justiça desenvolvem-se 18 Desenvolvimento moral da criança e teoria do domínio social do tratamento igualitário e da compreensão da igualdade para, no início da adolescência, surgirem noções de equidade. 5. Embora crianças e adolescentes diferenciem concepções morais, convencionais e pessoais em seus julgamentos, as avaliações de eventos ou de situações podem implicar sobreposição de interesses de diferentes domínios, estando esses interesses em conflito ou em sincronia uns com os outros. 6. As diferenças aparentes nas avaliações morais podem ser devidas às diferenças no entendimento descritivo das crianças sobre a natureza da realidade (isto é, seus pressupostos informacionais). 7. Crianças levam em conta ambas as crenças, morais e factuais, quando fazem julgamentos morais. 8. O conhecimento afetivo e as respostas afetivas para as situações são uma parte integral do desenvolvimento dos juízos moral e social, e os influenciam. 9. As concepções morais, convencionais e pessoais são construídas a partir de variadas experiências sociais das crianças e das regularidades no ambiente social. 10. A forma como os indivíduos pesam e coordenam as considerações morais e não-morais em seus julgamentos pode variar de acordo com contextos, culturas e desenvolvimento.
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