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Restif de La Bretonne, o espectador noturno, testemunha ocular da Revolução Francesa, faz desfilar aqui diante de nossos olhos os fatos que precederam a tomada da Bastilha até o fim da monarquia. Relatando a comoção popular, La Bretonne traça um painel extremamente dinâmico dos acontecimentos que incendiaram as ruas de Paris entre 1789 e 1793. O autor monta um panorama em que captura com realismo os anseios coletivos, as contradições e o espírito que caracterizaram um dos acontecimentos históricos que mais atordoaram o ordenamento geopolítico mundial. Se pode soar pretensiosa a premissa de compor num mesmo registro a voluptuosidade dos eventos revolucionários com pequenos dramas fictícios, são justamente estes que imprimem verossimilhança às Noites revolucionárias. Para La Bretonne, as historietas sentimentais que insere na trama histórica funcionam para "pintar os costumes de uma nação", nas palavras dele próprio. Concebida de forma fragmentária, a obra é uma espécie de continuação de Les nuits de Paris ou le spectateur nocturne, que o autor começara a publicar em volumes a partir de 1788. Os dois últimos, La semaine nocturne [1790] e Nuits de Paris [1794], que se debruçam especificamente sobre o processo revolucionário, formam a presente edição.
Restif de La Bretonne, cujo nome de batismo era Nicolas-Edme Restif, nasce em 23 de outubro de 1734, na região de Yonne, nordeste da França. Passa grande parte da infância no meio rural, até sair para os primeiros estudos instalar-se em 1751 em Auxerre, onde dedica-se à tipografia. Casa-se em 1760 com Agnès Labègue, um matrimônio marcado por turbulências. Começa, nesse período, a dedicar-se à escrita, numa produção bastante vasta nos anos que se seguem, incluindo aí Le pornographe [1769], obra na qual o autor pretende apresentar as ideias de “um homem honesto” sobre a reforma da prostituição. A irrupção da Revolução Francesa quase o arruína, mas lhe dá munição para a feitura de novos livros, entre os quais Le Palais-Royal e As noites revolucionárias. Falece em 3 de fevereiro de 1806, em Paris
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