Literatura africana contemporânea: vozes que o mundo precisa ouvir
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Armance é, cronologicamente, o primeiro dos grandes romances de Stendhal. Quando comparado a obras-primas como O vermelho e o negro e A cartuxa de Parma, porém, este romance de 1827 é considerado ambíguo - e isso por uma razão muito simples: toda a trama é articulada ao redor de um segredo sobre a vida do protagonista que nunca é revelado. A chave para se entender a trama estaria numa carta de Stendhal a Mérimée (publicada na presente edição), na qual ele explicita o motivo que impede a consumação do amor entre o visconde Octave de Malivert e sua prima, Armance de Zohiloff: seu herói sofre de babilanismo, ou seja, impotência sexual. A julgar pelo tom lúbrico que permeava sua correspondência com Mérimée, ele queria escrever um romance que satirizasse o ideal do amor romântico. O resultado, porém, é bem diferente: como a suposta anomalia permanece oculta, toda a torturante aproximação dos dois amantes se dá sob o signo do desafio a preconceitos sociais, políticos e econômicos. Stendhal faz da misantropia de Octave e da integridade de Armance a metonímia de um ardor passional que sobrevive a uma sociedade de nobres decadentes e banqueiros, um mundo regido por contratos matrimoniais, em que o casamento poderia pacificar o tumulto do coração.
Stendhal nasceu na França em 1783. Acompanhou o exército napoleônico em suas investidas à Itália, Áustria e Rússia. Após obras ensaísticas, entre as quais o relato de viagem Roma, Nápoles e Florença, em 1827 publica seu primeiro romance, Armance. Suas obras de ficção mais conhecidas são O Vermelho e o Negro (1830), que tem como herói Julien Sorel, jovem arrivista e ambicioso, tido como um dos personagens literários mais fascinantes de todos os tempos, e A cartuxa de Parma (1839), sobre a trajetória do aventureiro Fabricio del Dongo. A complexidade psicológica de seus personagens e suas análises sociais influenciam toda a literatura francesa posterior. O estilo de Stendhal, ao invés do excesso de ornamentos que caracterizava o romantismo, predominante na época, valoriza o perfil psicológico dos personagens, a interpretação de seus atos, sentimentos e paixões.
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