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História e Geografia

Cidade Inteligente, Cidade Sustentável

Crítica à Adjetivação da Cidade

1ª Edição - 2026276 páginasConsequencia Editorapt
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Sinopse

Partimos de uma hipótese: a utilização das expressões cidade inteligente e cidade sustentável funciona como estratégia de obscurecimento dos atores sociais envolvidos, de suas práticas, de seus objetivos e de seu processo histórico, exatamente através da adjetivação da palavra cidade. Esse desvelamento ajuda-nos a perceber uma terrível realidade e implica uma tensão entre o que existe e o que poderia existir. Ou seja, a cidade que temos não é a cidade que queremos. A adjetivação da cidade não é um fenômeno novo; termos como "cidade fronteira" e "cidade mercantil" já eram utilizados no século XVI. No entanto, o contexto contemporâneo do urbanismo, moldado pela revolução tecnológica e pelo avanço do neoliberalismo, confere a essa prática uma nova e distinta função. A visão hegemônica do urbanismo alinhou-se a uma lógica do espetáculo e do jogo especulativo financeirizado, em que a atração de investimentos e a competitividade global se sobrepõem às necessidades sociais e ambientais. A adjetivação da cidade, longe de ser um processo neutro de aprimoramento, constitui um esforço de branding. Essa estratégia, ao apropriar-se de características como a "inteligência" e a "sustentabilidade", opera como um mecanismo ideológico para desviar a atenção dos conflitos e das profundas desigualdades inerentes à produção do espaço urbano. Reificar a complexidade urbana sob o rótulo da eficiência tecnológica ou de um marketing verde-cosmético é uma tentativa de estabilizar o que é, por natureza, conflituoso e plural. Ao desconstruir esses discursos, buscamos resgatar a cidade enquanto espaço vivido e processo social aberto, irredutível a nomenclaturas que, sob a égide da neutralidade técnica, servem apenas para aprofundar a ideologia urbana dominante. Se o adjetivo é uma imposição que esteriliza o conflito, a cocriação surge como sua antítese vital. Ou seja, radicalizar a democracia significa, portanto, reconhecer que o direito à produção do espaço não significa um acesso a serviços prontos, mas o direito de transformar a nós mesmos ao transformarmos o lugar em que vivemos.

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Detalhes do livro

Título
Cidade Inteligente, Cidade Sustentável
Autor
Alvaro Ferreira
Editora
Consequencia Editora
Ano
2026
Páginas
276 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9786583435323
Edição
1ª Edição - 2026
Formato
Brochura

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