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Aids, uma HistóRia de Todos NóS
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Neste novo livro, o ensaísta e filósofo Eduardo Jardim parte da ideia de que toda experiência, para ter seu acabamento, precisa ser narrada. Partindo desse pressuposto, o autor investiga a viagem do vírus HIV desde seu surgimento, na África — há quase cem anos —, até sua chegada ao Brasil, acompanhando suas repercussões em todo o mundo. Como Eduardo observa, “muito cedo, escritores, cineastas e artistas se interessaram pela aids, tomando-a como tema ou como inspiração.” Assim, nesse percurso, A doença e o tempo analisa as manifestações sociais, políticas e culturais desencadeadas pelo surgimento da doença, examinando ainda o estigma e a discriminação que chegaram juntamente com conceitos como “grupo de risco”. “A angústia é um sentimento difuso, que tem a ver com a perda de orientação do mundo. Pode-se evitar, resistir ou aniquilar aquilo que provoca medo. Isso não é possível com a angústia. Pode-se tentar transformar a angústia em medo e, assim, pretender ter forças para liquidá-la. Foi o que aconteceu no caso de muitas reações à aids, que foram tentativas de circunscrever o problema a contextos definidos.” Em diálogo com obras e autores que trataram do tema, como Susan Sontag, e mobilizando para a reflexão escritores como Joseph Conrad e Octavio Paz, o livro analisa, de forma lúcida e sensível, como a aids alterou a nossa perspectiva sobre inúmeras dimensões da experiência humana e sobre o próprio tempo. “O drama da aids não se confina em nenhum gueto. Ele não é condicionado por nenhuma geografia. As perguntas que a aids suscita dizem respeito a todos os homens e referem-se precisamente a nossa mortalidade. Ao perseguir uma resposta para elas vislumbra-se a possibilidade de se reconsiderar o valor da vida.”
Nasceu no Rio de Janeiro, em 1948. Foi professor de filosofia na PUC-Rio entre as décadas de 1970 e 2010. Escreveu livros sobre modernismo no Brasil, como A brasilidade modernista: sua dimensão filosófica (1978), recentemente reeditado (2016), Limites do Moderno (1999), Mário de Andrade – a morte do poeta (2005) e coordenou a coleção Modernismo + 90 (2012-13). Em 2015, lançou a biografia Eu sou trezentos – Mário de Andrade, vida e obra, vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Livro do Ano de Não Ficção. Pesquisou o pensamento de Hannah Arendt e Octavio Paz, colaborando na divulgação de suas obras e publicou sobre eles: A duas vozes – Hannah Arendt e Octavio Paz (2007) e Hannah Arendt – pensadora da crise e de um novo início (2011). Traduziu a coletânea de ensaios A busca do presente, do escritor mexicano Octavio Paz (2017), parte da coleção Ensaios contemporâneos, que dirige na editora Bazar do Tempo. Em 2017 lançou Tudo em volta está deserto – Encontros com a literatura e a música no tempo da ditadura.
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