Os melhores livros de neurociência para leigos curiosos
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O livro tem como escopo uma análise da New Left Review (NLR), considerada hoje a principal revista internacional de debate entre os intelectuais de esquerda, nos anos que se seguiram a queda do Muro de Berlim e ao colapso da URSS (1989-91). Eventos estes que marcaram o desfecho da Guerra Fria pelo triunfo do capitalismo norte-americano sobre o comunismo soviético, indicando um ambiente de derrota e pessimismo para as Esquerdas. O autor procura identificar e compreender quais as interpretações que os editores e colaboradores da NLR levantaram sobre essa conjuntura assinalada pela falência de alternativas sistêmicas a democracia liberal. Nessa intenção, observamos uma demarcação das principais temáticas de pesquisa destes intelectuais no período, tais como: capitalismo globalizado, imperialismo, socialismo, teoria marxista, pós-modernismo, nacionalismo e movimentos sociais, sem perder de vista as diferentes nacionalidades, formações acadêmicas e experiências históricas que informavam suas múltiplas leituras do mundo contemporâneo. Interlocutores oriundos da Nova Esquerda britânica e que haviam participado da fundação da NLR, ainda em 1960-62, tais quais: Perry Anderson, Robin Blackburn, E. P. Thompson, John Saville, Stuart Hall, Eric Hobsbawm, entre outros, passaram a dividir os dossiês da revista com intelectuais de outra geração e/ou de diversas perspectivas, como Fredric Jameson, Terry Eagleton, Ellen M. Wood, Mike Davis, Norberto Bobbio, Jacques Derrida, Michael Hardt, Slavoj Zizek, Edward Said, etc.Dessa interlocução de ideias e hipóteses entre intelectuais de diferentes matrizes ideológicas - dentro do campo da esquerda, mas igualmente de centro e de direita o autor aponta para uma mudança de paradigma no pensamento da esquerda internacional: uma variação de itinerário que rompe com a antiga ortodoxia marxista (revolução, proletariado e luta de classes) em prol de uma abordagem mais pluralista da sociedade (proposição de alternativas, grupos minoritários e movimentos sociais). Sua tese central é de que tal mudança paradigmática, ao invés de abrir caminho unicamente para o pessimismo, fez com que as aspirações utópicas nutridas pela esquerda socialista fossem repensadas à luz de novas obrigações, resistências e possibilidades encetadas na assim chamada era ‘pós-moderna’: em outras palavras, o utopismo se tornou o material espiritual pelo qual os intelectuais, interpretando ações coletivas pelo planeta (movimentos nacionalistas no Leste europeu, o Zapatismo no México, Greves Operárias na América Latina, manifestações anti-sistêmicas Seattle) propuseram uma nova agenda, ou uma reinvenção da esquerda.
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