Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Este livro tem como corpus central de análise A Hora da Estrela, de Clarice Lispector (1920-1977), pensada em suas fronteiras com o ensaio e com as escritas de limiar – paratextos, prólogos, epígrafes, entre outros – e com as proposições do instrumental crítico de Giorgio Agamben. O estudo está organizado em três momentos. Inicialmente, objetiva localizar a literatura da autora em sua contemporaneidade, extraindo das estratégias compositivas as singularidades de sua produção em relação à tradição e ao seu presente. Para isso, aproxima a narrativa clariciana do pensamento meditativo, fragmentário, errático, que está na base do método ensaístico de Michel de Montaigne e que compõe um ritmo profundamente harmônico com a percepção estética de Clarice Lispector. Em seguida, a investigação rastreia as escritas de borda, ou seja, os paratextos e seus congêneres, tomando-os como linhas condutoras de uma voz crítica e reflexiva nas margens híbridas da ficção clariciana. Nesse contexto, a ideia de “prólogo estendido” estaria na própria estrutura de A Hora da Estrela – que se abre com seus 13 títulos, atravessa a dedicatória e se estende por muitas páginas do texto central. Por fim, o estudo defende que, em A Hora da Estrela, por meio do jogo de projeção autoral entre Clarice/Rodrigo, condutor do gesto meditativo, crítico e ensaístico alinhavado no texto, é possível trazer para a narrativa um tom testemunhal na modulação do narrador interposto, Rodrigo. Macabéa, dobra dessa projeção autoral, emerge entoando um canto quase anafórico, mas que tece, com sua voz marginal, o tom mais agudo e central do texto clariciano.
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