Os melhores livros de terror para quem quer perder o sono
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Não se fala de nenhum time aqui, grande ou pequeno. Só de dois garotos. Cigarrilha, alto, calmo, de família mais remediada, e Condensado, atarracado, cabelo espetado, sempre tenso. Um goleiro, um atacante. Vizinhos, numa dessas histórias que o subúrbio carioca tem o dom de montar e que o compositor Aldir Blanc teve o talento de contar. A caixinha de surpresas do título, não resta dúvida, é o destino. É ele que vai juntar os dois no início, entediados com a mudança das respectivas famílias, no mesmo dia, para casas que dividem muro. É ele que vai juntá-los novamente no final, em lados opostos de um muro muito maior que aquele da infância. Blanc usa a bola pra quase falar de metafísica, dando olés consecutivos na chatice. Não que seja uma surpresa total, sendo o letrista inigualável que é, Blanc exibe um controle do texto de escritor veterano. Mais que isso: inventa como se fosse um estreante cheio de fome, querendo marcar presença. Seu texto é ousado, a estrutura da história é surpreendente – dividida em dois tempos, com um intervalo cheio de retalhos das vidas dos dois garotos, como é a vida de todo mundo – e tudo em outras mãos (pés?) desmoronaria. Blanc sai invicto, sem um tropeço. Blanc prova que é mestre de blefe e drible, esticando o realismo do livro até o máximo para, na última hora, sem aviso, estonteando, sair-se com uma solução do mais puro fantástico. Mágica de futebol.
"Mais carioca que o Pão de Açúcar, ele nasceu no Estácio, cresceu em Vila Isabel e mora na Tijuca, repartido numa geografia sentimental que engloba suas duas grandes paixões: a música e o futebol. Apesar de ser peladeiro desde criança, sua maior façanha no esporte foi o fato de, mesmo sendo vascaíno fanático, conseguir fazer uma das mais célebres parcerias da MPB com um flamenguista doente, João Bosco. Contudo, seu talento de escritor não se restringe à área musical, florescendo nas crônicas e consolidando-se em livros como: Ruas dos artistas e arredores; Brasil passado a sujo; Vila Isabel: inventário da infância e Um cara bacana. Com este livro, Aldir Blanc comprova que no Brasil o futebol é um dos componentes da alma nacional."
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