Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
O smartphone acabou com nossa capacidade de atenção, ou será que não? Técnicas comprovadas para ler com profundidade mesmo quando o cérebro insiste em pedir estímulo a cada minuto.
John Donne, San Juan de La Cruz, Richard Wagner
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Intensa e impalpável, a experiência subjetiva do êxtase parece escapar às tentativas de exprimi-la com as palavras de todo dia. Talvez por isso mesmo, o êxtase — sensorial, amoroso ou místico — tenha incitado grandes poetas a se aventurarem nos confins da linguagem, como é o caso daqueles que Leo Spitzer reuniu em Três poemas sobre o êxtase : John Donne, San Juan de la Cruz e Richard Wagner. O que pode, então, a inteligência analítica dizer diante da transfiguração fulgurante do mundo e da linguagem? Pouco, diriam muitos; ou muito, diria o grande crítico e filólogo austríaco, para quem não é coisa pouca estudar, como leitor discreto e agudo, “o modo como se deu a transfiguração”. Neste ensaio brilhante, publicado originalmente em 1949, Spitzer empenha-se em mostrar como poetas muito diversos entre si lançam mão dos recursos de sua língua e de sua tradição para dizer o indizível, para “fazer de suas experiências íntimas uma realidade poética para o leitor”. Pois os textos estudados em Três poemas sobre o êxtase não se situam em um além informe, fora da linguagem: estão no coração dela, ressuscitando memórias e possibilidades latentes na língua vernácula e multiplicando a potência das formas poéticas.
Leo Spitzer nasceu em Viena, em 1887, e faleceu em Forte dei Marmi, em 1960. Depois de concluir os estudos de filologia românica sob a orientação de W. Meyer-Lübke, Spitzer iniciou um percurso universitário que o levaria a lecionar em Bonn, Marburg, Colônia e, com a tomada do poder pelos nazistas, em Istambul e Baltimore. Ao longo da carreira fertilíssima, Spitzer publicou centenas de artigos e ensaios dedicados à linguística e à leitura estilística de um sem-número de poetas e prosadores, da Idade Média românica a contemporâneos como Christian Morgenstern e Marcel Proust.
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