Mangás e graphic novels: por onde começar e por que ler
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Os Três contos de Gustave Flaubert (1821-1880) constituem um dos pontos mais altos da literatura francesa. Ao retornar a temas, figuras e paisagens que o acompanhavam desde a juventude, o autor de Madame Bovary destilou uma suma de sua obra nas breves páginas deste último livro que che¬gou a completar. Seja narrando o meio século de servidão de uma criada em “Um coração simples”, seja desdobrando a ta¬peçaria alucinada da “Legenda de São Julião Hospitaleiro” ou ainda reinventando um episódio bíblico em “Herodíade”, Flaubert levou a arte da ficção a territórios ainda pouco explorados. Seu contemporâneo Henry James não tardou a ver “um elemento de perfeição” neste livro de 1877; e o próprio Flaubert, a meio caminho de sua redação, confi¬denciou numa carta: “Tenho a impressão de que a Prosa francesa pode chegar a uma beleza de que mal se faz ideia”.
Gustave Flaubert nasceu em Rouen, capital da Normandia, na França, em 1821. Em 1841 muda-se para Paris, a fim de estudar Direito, sem contudo concluir o curso. Em 1844, após uma crise nervosa, instalou-se no lugarejo de Croisset, nas redondezas de Rouen. Em 1846, com a morte do pai, herdou uma soma suficiente para poder se dedicar inteiramente à literatura. Entre 1844 e 1849, redigiu as primeiras versões de A educação sentimental e A tentação de Santo Antônio, que não chegou a publicar. Entre 1849 e 1852 viajou pelo Egito, Império Otomano e Grécia, viagem fértil para suas obras futuras. De volta a Croisset, mergulhou na redação de Madame Bovary, ao mesmo tempo que prosseguia uma relação tu-multuosa com a poeta Louise Colet. Publicada em livro em 1857, a obra de estreia logo valeu fama ao autor, tanto pela fatura literária como pelo escândalo que causou. Admitido nos salões literários parisienses, onde trava amizade com os irmãos Goncourt, George Sand, Théophile Gautier e Ivan Turguêniev, Flaubert dedica-se ao romance histórico Salammbô, publicado em 1862 sem grande repercussão. O autor volta-se então a um projeto de juventude, A educação sentimental, obra armada em torno à Revolução de 1848 e que deveria conter a “história moral” de sua geração. Publicada em 1869, foi saudada por vários escritores como obra-prima, mas não encontrou grande eco junto ao público. Amargurado, Flaubert dedicou-se à terceira e última redação de A tentação de Santo Antônio, publicada em 1874, novamente sem grande acolhida, ao mesmo tempo que embarcava no ambicioso projeto de uma sátira enciclopédica sobre a estupidez humana, Bouvard e Pécuchet. Exausto pelo esforço literário e pelas tribulações familiares, interrompeu a redação do vasto li¬vro para escrever, entre 1875 e 1876, a última obra que chegaria a terminar, os Três contos, publicados em livro em 1877. De volta a Bouvard e Pécuchet, avança penosa¬mente, sem chegar a concluir a obra: vítima de uma hemorragia cerebral, Flaubert faleceu em Croisset em 1880.
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