Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
Coleção FáBula
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A sereiazinha e outras histórias reúne cinco fábulas clássicas de Hans Christian Andersen (1805-1875), o autor que, ao lado dos irmãos Grimm, é um dos nomes centrais da tradição do conto infantil e popular na Europa do século XIX. A versatilidade da pluma de Andersen está bem representada neste segundo volume de suas Obras escolhidas, em novas traduções realizadas por Heloisa Jahn diretamente do original dinamarquês. Aqui está, para começar, “A princesa da ervilha”, uma anedota concisa e deliciosa, de fina ironia humana e social. E aqui está, é claro, “A sereiazinha”, conto mais extenso que, na pele de uma jovem sereia e um príncipe desavisado, explora as alturas e os abismos do amor. Em “O companheiro de viagem” e “Os cisnes selvagens”, menos conhecidos no Brasil, o leitor trava contato com um Andersen que, mestre das fórmulas do folclore, sabe renová-las e levá-las às vizinhanças do romance. Fechando o volume em tom feérico mas sempre arguto, “O rouxinol” não deixará de intrigar por suas muitas antevisões do destino da vida humana e da beleza à sombra da maquinaria a nosso redor. Como no primeiro volume de Andersen publicado pela coleção Fábula (O patinho feio e outras histórias, 2017), também este A sereiazinha e outras histórias é fartamente ilustrado, agora com desenhos em preto e branco do ilustrador uruguaio Fidel Sclavo.
O escritor, dramaturgo e poeta Hans Christian Andersen nasceu em Odense, na Dinamarca, em 1805. O pai, embora humilde e sem instrução, estimulou a imaginação do filho construindo para ele um teatro de fantoches e lendo histórias de La Fontaine, Shakespeare, Holberg e outros. Depois da morte do pai, em 1816, a mãe casou-se novamente e, algum tempo depois, permitiu que o filho, então com 14 anos, partisse para Copenhague, onde pretendia tornar-se artista. Começou pelo palco, mas seu desempenho como ator, dançarino e cantor não obteve destaque. Nesse momento, um golpe de sorte mudou sua vida: escreveu uma peça de teatro, o que levou um dos diretores do Teatro Real, Jonas Collin, a concluir que a verdadeira vocação do jovem era a literatura. Decidido a apoiá-lo, obteve um auxílio financeiro do rei Frederik VI para que o rapaz desenvolvesse seus estudos. Em 1928 ingressou na Universidade de Copenhague e publicou o relato Um passeio desde o canal de Holmen até a ponta leste da ilha de Amager, que anunciou o sucesso que se confirmaria com o primeiro romance, O improvisador, escrito em 1835 e logo seguido por duas coletâneas de histórias infantis, com o título genérico de Contos para crianças. A partir daí, sua fama só cresceu. Em pouco tempo o escritor era reconhecido no cenário europeu como um mestre da literatura infantil. Entre 1835 e 1872, seriam 150 eventyr, palavra dinamarquesa para contos e histórias. Hans Christian Andersen morreu solteiro e sem filhos em 1875, aos 70 anos de idade, em Copenhague.
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