Como presentear livros sem errar: um guia para acertar sempre
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
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A medida do amor, em régia proporção, é a mesma da dor – eis a descoberta sempre tardia do luto. Justo então será, aos que restamos, examinar a letra miúda de uma tal revelação. “Dura quanto o amor para ser amor?”, pergunta-se a narradora deste livro entre as visitas ao pai internado em um hospital e as caminhadas pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro. No percurso, mais que um entendimento sobre os extremos da vida, o que lemos é um testemunho pessoal moldado pela memória e por um agudo senso de observação. Autora de uma obra consistente de prosa e poesia, Adriana Lisboa expõe-se pela primeira vez em um ensaio de cunho autobiográfico. Num inteligente uso de material literário, a escritora traduzida em mais de vinte países dá voz a uma Adriana em família para narrar a morte dos pais, ocorrida em um curto intervalo de tempo. Retorna, nas horas em que a ficção parece uma intrusa, ao berço da escrita, para decifrar a genealogia de sua inquietação artística. “Os olhos dele nos meus, a mão dele na minha, e que bobagem isso de literatura.” Enquanto procura um significado outro para as formas vivas, Todo o tempo que existe presta um tributo a quem, no tempo, já não existe. Com o estilo apurado de sempre, Lisboa compartilha a experiência de luto e encontra uma nova função para a narrativa. Um livro incomum de uma autora rara.
Adriana Lisboa nasceu no Rio de Janeiro em 1970. Estudou música e literatura. Publicou, entre outros livros, os romances Sinfonia em branco (Prêmio José Saramago); Um beijo de colombina; Rakushisha; Azul corvo (um dos livros do ano do jornal inglês The Independent); Hanói; a coletânea de contos O sucesso e os poemas de Parte da paisagem e Pequena música (menção honrosa – Prêmio Casa de las Américas). Também publicou obras para crianças, entre as quais Língua de trapos (Prêmio de Autor Revelação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) e Um rei sem majestade. Seus livros foram traduzidos em mais de vinte países. Seus poemas e contos saíram em revistas como Modern Poetry in Translation, Granta e Asymptote.
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