Como escrever uma resenha de livro que as pessoas vão querer ler
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Em Sequências , Júlio Castañon Guimarães põe em cena, de forma tensa, um paradigma construtivista bastante presente, entre nós, no panorama das artes visuais e também no da poesia. É tenso o gesto realizado pela poesia do autor mineiro porque tal paradigma comparece em seus poemas — não para ser repetido ou celebrado, e sim para ser encarado, desafiado e transformado. Afinal, nesta obra, o desejo de ordem e justeza não se diferencia do que é precário e inacabado. A linha do desenho que risca a superfície do papel tanto instaura limites quanto os torna indefinidos. Isso para não falar dos passos dados à noite que levam o caminhante a um destino desconhecido: “quando o onde não é o que importa — aí a viagem?”. Desse modo, vamos, de palavra em palavra, por um percurso em que abismo e método são faces de uma mesma moeda. Nestas páginas, a “forma informe” luta consigo mesma para dar a ver, por exemplo, um limão, uma laranja ou ainda um rapaz de quem vemos apenas o braço e o torso. Por falar em imagem, Castañon — diante de uma paisagem de Cézanne, do acervo do Masp — anota: “pensar em paisagem, / quando de fato se trata de um retrato”. Ler o gênero da paisagem em Cézanne como retrato (outro gênero da pintura) pede uma mudança de ângulo radical que, entre outras coisas, abala as ficções e dramas do eu. É assim que, discretamente e em tom menor, a poesia de Castañon segue com força total, pesquisando linguagens e mudando a tradição de lugar.
Nasceu em Juiz de Fora (1951) e vive no Rio de Janeiro. Seus livros de poesia foram reunidos em Poemas (Cosac Naify/7Letras, 2006), tendo publicado a seguir Do que ainda (Contracapa, 2009). Escreveu também estudos, como Por que ler Manuel Bandeira (Globo, 2008) e Entre reescritas e esboços (Topbooks, 2010). Traduziu As flores do mal, de Baudelaire (Penguin/Companhia das Letras, 2019, prêmio Paulo Rónai de tradução da Biblioteca Nacional), além de outros autores, como Mallarmé, Paul Valéry, Rimbaud, Roland Barthes e Francis Ponge.
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