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Literatura Estrangeira

Santa Genebra

Volume Ii: Barão Geraldo

1ª Edição - 2024318 páginasViseu Editorapt
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Sinopse

Nuvens escureceram o céu. A chuva caiu aos borbotões. Tudo lembrava Mary: a impertinência úmida, o perfume da terra. Geraldo sentia-se cada vez mais triste. Amuado pela perda da irmã e pela doença irreversível da mãe, não tinha um colo onde deitar a cabeça nem ouvidos amorosos às suas queixas. O rapazote alegre e leviano dera lugar a um homem sério, de pouco riso. A luz mortiça do lampião não iluminava mais que o necessário. Que abatimento! Sentia-se desprezado. Tirou a roupa e lavou-se na bacia. Grande porcaria! Era preciso providenciar água encanada — pensou. Usou álcool para esquentar o corpo. No desconforto da solidão, jogou-se na cama. Não passava de um estrangeiro na própria casa. Não tinha um lar. Nada fazia sentido, nem os sonhos nem os projetos de vida. A mente não dava tréguas. Os pensamentos afogavam. De que serve ser tão educado, fino e elegante? Para que tanto esmero se não venço a timidez do amor? Para que servem a conduta correta e a inteireza de caráter? Pro diabo a pretensão de me tornar útil se a vida se fecha para mim! Revoltou-se. Maria Amélia o desdenhava. Ela gosta de ser o centro das atenções, de ser paparicada. É vaidosa. Não afirmou que nunca se casaria com alguém sem título universitário? É o meu caso e pronto. Geraldo sentiu-se um bocó. O carrilhão bateu meia-noite. O sono se mantinha tão afastado quanto o amor. Sentia-se derrotado. Difícil aceitar que a moça que seu coração escolhera amar não o desejava com a mesma ênfase. Longe, um cão ladrou. Uma coruja piou. Não havia saída para o impasse; só restava desistir. A noite passou entre pesadelos e vigílias. Sentiu uma irresistível vontade de se fazer de vítima para comover o coração dela. Qual! Não se via no papel de coitadinho. A cabeça pesava da carraspana que não bebera. Coração ofendido dói! Foi ter com Estevão. — Estou loucamente apaixonado por aquela meninota! Que fazer? Eu pensei em ter um casamento por amor e tudo não passou de sorrisos e atenções superficiais. Mas havia tanto brilho em seus olhos. Ela estava esfuziante quando plantamos as mudas. Que bobo sou! A quem estou tentando enganar? Mary gosta de mim como um primo, em quem os pais confiam para acompanhá-la a bailes e piqueniques. Caiu em prantos. Era inacreditável ver aquele homem chorando como criança. — Não consigo dormir — disse limpando o nariz na manga do pijama — Eu concluí que ela não gosta de mim. Ainda bem que não me declarei nem a pedi em casamento. Ia fazer papel de bobo. Ela aceitou as rosas por educação, Steu. Com que cara eu vou ficar? — Com cara de bobo como ficam todos os homens apaixonados. Não tire conclusões precipitadas. Ela gosta de você, então não vi? Vai limpar este rosto, trocar de roupa. Um rosto escanhoado é tudo que precisamos para começar bem o dia. Um café doce e forte é tudo de bom agora. Geraldo olhou para Estevão: exalava paz e tranquilidade. Era isso que Geraldo almejava para si.

Detalhes do livro

Título
Santa Genebra
Autor
Martha Maria Martins
Editora
Viseu Editora
Ano
2026
Páginas
318 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9786525484761
Edição
1ª Edição - 2024
Formato
Brochura

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