Como presentear livros sem errar: um guia para acertar sempre
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Leituras do NaufráGio
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E se os clássicos da literatura ocidental fossem pensados a partir de seu potencial destrutivo? Autora do premiado Um mapa para a porta do não retorno , Dionne Brand desenvolve uma crítica radical do cânone e oferece um vibrante testemunho como sobrevivente de uma formação literária colonial . “Não me entristece o fato de Robinson Crusoé ser um escravagista. Me entristece ter que ler Robinson Crusoé como o homem universal. Não guardo esperanças em relação a nenhum aspecto de Robinson Crusoé que eu pudesse apreciar se ele não fosse escravizador.” É com essa verve demolidora, sem fazer concessões, que Dionne Brand desestabiliza qualquer perspectiva humanizadora em torno dos clássicos. Nascida em Trinidad e Tobago, Brand parte de sua experiência traumática com a literatura britânica e retira o manto de universalidade que paira sobre a figura do “leitor” ao analisar obras que jamais foram escritas para uma leitora como ela — uma jovem negra no Caribe. Para a autora, essas obras manifestam o colonialismo como uma estética em que somente a experiência branca é dotada de significado, representada como uma vida que acontece e se move no tempo — e cujo sentido depende da sujeição de personagens negras. Nesse sentido, se o contato com a biblioteca ocidental é uma experiência de naufrágio, Salvamento é um convite à rebelião contra a pedagogia colonial transfigurada em literatura, em que obras de autoria negra criam um inventário de sobrevivência e oferecem um mapa para a liberdade. Como quem incendeia um navio negreiro, Dionne Brand nos encoraja a experimentar, criar e imaginar um novo mundo em meio às ruínas de um edifício literário no qual a beleza da vida negra nunca teve lugar. “Nesta meditação perspicaz sobre sua formação como sujeito colonial, Brand mostra como uma vida pode ser ‘destruída’ pelos livros, mas também pode ser refeita pelos livros.” Saidiya Hartman
DIONNE BRAND, nascida em Trinidad e Tobago e radicada no Canadá, é poeta, ensaísta e romancista e uma das principais autoras da diáspora negra. É autora premiada de mais de vinte livros, entre poesia, ficção e não ficção. É diretora editorial da Alchemy, um selo da Knopf Canada, e professora da Universidade de Guelph. Sua obra de não ficção inclui Pão tirado de pedra e Um mapa para a porta do não retorno.
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