Os melhores romances de amor: clássicos e contemporâneos que emocionam
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ESCRITORES E LEITORES DIANTE DO “ESTÁDIO DO ESPELHO” Esta é a segunda edição monográfica da Pernambuco. Agora, centrada em Clarice Lispector, cujo desejo da literatura como seu mundo começou no Recife. Dizia Borges: “Os espelhos e a cópula são abomináveis, porque multiplicam o número dos homens”. Talvez uma relação assim refletida exista no leitor com os livros (vide o aforismo de Lichtenberg). Apenas cabe acrescentar que, se o livro serve de espelho, também o autor. Há escritores em que a "cópula" e o espelhamento buscados pelo leitor encontram-se mais do que em outros: Clarice Lispector está entre eles. Eus outros, mesmo quando não procuram outros eus, encontram. Não surpreende que a grande expansão do interesse pela leitura de Clarice Lispector e sua apropriação pelo seu leitor coincida com as décadas mais recentes. Em que mais se valorizam a identidade e as reivindicações identitárias. Lacan, ao tratar do “conhecimento paranoico”, se refere a “compreender o estádio do espelho como uma identificação no sentido pleno que a análise dá a este termo: a saber, transformação produzida no sujeito quando assume uma imagem, cuja predestinação a este efeito de fase está suficientemente indicada pelo uso, na teoria, do termo antigo imago.” Por sua parte, nos diz Jauss, ao tratar do poder de evocação de um novo texto no leitor, que há um “horizonte de expectativas”. Clarice Lispector pode ser um exemplo curioso na literatura daquele “método paranoico-crítico” autoproposto pelo pintor Salvador Dalí. Embora ela, em certo sentido, fosse o seu oposto: anti-histriônica. Ou com um histrionismo sutil, que se expressa na palavra que entroniza silêncios e se exterioriza na outridade, na escrita. Embora de único tema, este número tenta apresentar enfoques variados. Mas,ao fim e ao cabo, traz apenas uma das possíveis Clarices. Uma Clarice ‘mirabilante’, que refletisse as maravilhas e os espelhos que os leitores buscam em si através dela. Não surpreende que alguns deles inventem falsos textos seus e se ocupem de disseminá-los na Internet. Os que não fazem isso, mas a admiram intensamente, também nela se encontram. Por essa curiosa operação que é ad-mirar. Como se Lispector fosse o seu espectro e espéculo, a Sheherazade cujas histórias sejam continuadas pelo rei, que as ouve.
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