Como presentear livros sem errar: um guia para acertar sempre
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Se abril é o mais cruel dos meses, como dizia Eliot, podemos pensar janeiro como o mais ambíguo. Mês de duas caras. Feito à medida para incluir um escritor igualmente de dupla face: Yukio Mishima, cujo centenário de nascimento se celebra no 14 deste mês. A menos de uma semana do dia de São Sebastião, que tanto admirava, de modo similar a Oscar Wilde, outro dos destaques desta edição. Num comentário sobre Sebastião mártir, Anna Jameson aproxima-o de Apolo e diz que sua figura produz o mesmo efeito da excitante fantasia. Tal devoção pode terminar em paixão, loucura e morte. Não há como pensar nesse santo sem associá-lo às flechas, desde a antiguidade o símbolo da peste (nisto também se associa a Apolo, o que infligia e livrava das pestilências). A intensidade e a resiliência do santo estão em Mishima. Sem sua aparente passividade e resignação, e, sim, com sua firmeza e resistência. O escritor fazia da palavra um músculo e do corpo um verbo. Livre de limites sua imaginação e ação. Daí não surpreender como opinou sobre um episódio polêmico, ocorrido em 26 de janeiro de 1948. Doze pessoas foram assassinadas por cianeto no assalto a um banco em Tóquio. A polícia decidiu acusar um pintor. Houve protestos dos artistas e escritores. Mas não de Mishima. Que escreveu: “Era óbvio para mim, desde o início, que este crime extraordinário fazia parte de um pacto secreto com o problema da beleza. (...) Considerado em termos puramente estéticos, este crime era feio. Mas não se tratava de uma fealdade de essência. Era a fealdade que se manifesta quando o bem e o mal da humanidade, todas as possibilidades criativas a que chamamos humanidade, se condensam num único acontecimento: um crime. As obras de arte são coisas de uma beleza imperfeita. Se alguma vez uma obra de arte for tomada perfeita, torna-se um crime”. Décadas antes de Stockhausen considerar o 11/9 uma obra de arte, e mais de um século depois de Thomas de Quincey escrever sobre o assassinato como uma das belas artes.
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
Ficção literária, fantasia, suspense, romance, sci-fi, são dezenas de gêneros e subgêneros. Um mapa para você navegar a literatura e encontrar exatamente o que procura.
E-readers revolucionaram a leitura digital, mas as opções são muitas. Kindle ou Kobo? Básico ou premium? Com ou sem luz? Um guia para acertar na escolha.
Para escolas, universidades, autores e editoras