Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Wilson Alves-Bezerra, passados vinte anos desde a elaboração da primeira versão de “Reverberações da fronteira em Horacio Quiroga”, decide eludir tudo o que fosse da ordem da biografia do escritor. Entendeu que a necrografia (termo cunhado com felicidade e precisão pelo mexicano Carlos Abreu Mendoza) obliterava sua escritura e impedia a crítica de se debruçar sobre a forma de sua narrativa. Além disso, ultrapassa a análise da narrativa de Horacio Quiroga que supõe uma leitura de procedimentos formais, aquela que se costuma fazer: a de tomá-lo como gregário apenas da poética da narrativa do século XIX; de ver somente o tema da morte trágica, da exploração dos peões em Misiones, das fantasias tecnológicas de fim de século; de perscrutar as suas influências — para as quais bastaria ler o primeiro mandamento de seu decálogo — e satisfazer-se com elas, como se elas explicassem sua obra; de situá-lo na tradição regionalista, modernista ou fantástica; e finalmente, a de psicologizá-lo, explicando as mortes presentes na literatura dele através das mortes da vida do autor, sob o ineludível risco de ter perdido ambos — autor e obra.
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