Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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A zoofilia e a atrocidade ligadas à biografia na banda hispânica nos remetem a Borges e à sua História Universal da Infâmia, com personagens excessivos, afetados, com o demo no ombro. O excelente “O homem que se perdeu” passa pela oralidade de um Brasil profundo, orientado por um sertão literário expandido por Rosa, onde Wilson atravessa pactos fáusticos, engrandece, expande a leitura deste zoológico que não tem limites dentro de uma literatura nacional; aqui a zoofilia é uma paixão e as paixões movem, são uma questão de devir (a zoofilia em Quiroga, em Kafka, em Greenaway). Como em todas as coisas, ninguém sabe do que é capaz um corpo. A zoofilia pode oscilar entre aquele que escuta harmonias no canto dos pássaros e o bruto livre que mata e que massacra (uma besta qualquer). [...] Sabemos que a voz da besta pode ser o grito, a lágrima, o grunhido. Sabemos que incendiar uma casa pode servir para ver, que o câncer tem sua retórica que termina sempre no silêncio, que a vida é insuficiente e que a literatura também é.
Wilson Alves-Bezerra é professor do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura da UFSCar. Possui graduação e mestrado em Letras pela USP, doutorado em Letras (UERJ) e pós-doutorado em Literatura Hispano-Americana (UNICAMP). Atua como resenhista e pesquisador dentro das áreas: literatura latino-americana, as relações entre literatura e psicanálise e o portunhol na literatura. É autor de livros como Páginas latino-americanas(EdUFSCar, 2016). Foi finalista do Prêmio Jabuti (2009) por Melhor Tradução Literária Espanhol-Português com sua tradução de Pele e Osso (Iluminuras, 2000), do autor Luis Gusmán, além de ter sido vencedor na categoria Poesia (2016) com seu livro de poemas Vertigens (Iluminuras, 2015).
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