Literatura africana contemporânea: vozes que o mundo precisa ouvir
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O encontro entre um menino curioso e um pescador contador de histórias à beira-mar é o ponto de partida usado por Simone Mota para enredar várias narrativas, envolvendo uma brincadeira popular, comum na França ainda na atualidade, que consiste em colar um peixe de papel nas costas de alguém no dia primeiro de abril, o chamado “peixe de abril”. Um fato histórico explica a origem desta tradição. Em 1564, o rei da França, Carlos IX, decretou que, a partir do ano seguinte, o ano começaria no dia primeiro de abril. Mas essa mudança acabou sendo rejeitada por muita gente e as pessoas passaram a pregar peças nos familiares e vizinhos, inclusive ofertando peixes de papel neste dia, já que a pesca não era permitida no país nessa época do ano. Pode ter vindo daí a tradição brasileira de fazer brincadeiras envolvendo mentiras também nesse dia. As belíssimas ilustrações da artista francesa Elise Carpentier, feitas com vários tons de azul e detalhes em amarelo, demarcam as várias camadas de leitura entrelaçadas no livro.
SIMONE MOTA é escritora, roteirista e curadora de projetos culturais, Simone Mota é carioca e cresceu no bairro de Todos os Santos. Como escritora de livros infantojuvenis, publicou recentemente Si le singe fait des singeries, Carolayne, Carolina e as histórias do diário da menina, e Frederico, Frederico…, que recebeu o Selo Cátedra 10 em 2021, promovido pela Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio. É autora de Que cabelo é esse, Bela?, para o qual produziu e roteirizou um book trailer. Na frente audiovisual, atualmente colabora com o roteiro de um longa-metragem baseado no livro Quarto de despejo, de Carolina Maria de Jesus. Como curadora, trabalha desde 2022 na programação infantil da Festa Literária das Periferias (Flup).
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