Autor
Simonte Mota Cresci no subúrbio do Rio de Janeiro em uma casa de vila em Todos os Santos, mas meus avós paternos, que eu não conheci, eram de Aracaju. Meu pai, Raimundo Nonato, sempre contava que quando meu avô ficou doente, a família se mudou para o Rio de Janeiro. Quando estive em Aracaju pela primeira vez, fui até a rua onde minha tia Walmira contava que meus avós e os filhos mais velhos tinham morado. No entanto, o que me levou a Aracaju foi o desejo de apresentar meu filho mais velho, Pedro Henrique, à família do pai do meu marido. Sim, seu Everaldo era sergipano. Nasceu em Altos Verdes, distrito de Carira. Foi lá no quintal de um dos tios-avôs do meu filho, numa roda de prosa entre tios, sobrinhos e netos, que eu ouvi as memórias se entrelaçarem com o presente diante de meus olhos. As palavras, os gestos, o jeito de falar e a alegria de estar juntos no lugar onde a história deles começou… essas miudezas me contagiaram. Eu escrevi Cocada de mandacaru depois de muitos anos, mas ela está em mim desde aquela tarde sob o céu azul de Altos Verdes. Realidade e fantasia andam de mãos dadas, mas às vezes se soltam, e eu fico mais perto de uma ou da outra. Meu jeito de ser escritora, roteirista e produtora é assim — tudo junto e misturado, e por que não separado também?
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