Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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A Tecelagem LiteráRia de Retorno ao Lar
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Prosa poética que se entrelaça com o texto teórico-filosófico. Ao correlacionar os cômodos da casa – porão, quintal, cozinha, quarto, sala, sótão – e os âmbitos existenciais da vida humana, além de uma correspondência com os elementos constitutivos da árvore – raízes, seiva, rama –, a poética da casa presente neste livro realiza um percurso épico pela busca de si ou, dito de outra maneira, a autopoiese, a escrita de si. A marca estilística do texto se faz por idas e vindas, como na tecelagem de um manto, e recompõe o jogo antitético entre as viagens de Ulisses e a permanência de Penélope no oikos (casa, em grego antigo), colocando em cena, ainda, uma mulher comum às voltas com as práticas caseiras, as interferências externas e o desejo de ir além das raízes para ser a rama da árvore, numa longa viagem de pés no chão. A narrativa é marcada por diversas simbologias e procura resgatar o sentido de “retorno ao lar”, assim como o processo de reconexão do indivíduo (como criador de si) com a Terra. Em Oikospoética, a mulher é a tecelã das forças imanentes da terra e a organizadora do Cosmos por meio da metáfora do tear caseiro. Seu ativismo não atravessa os mares, e talvez não seja necessário ir tão longe para engendrar o Cosmos, pois sua rota se abre na vertical: as raízes da terra subindo em espiral para as ramas que atravessam o céu. Casa-artífice do fazer manual e intuitivo: a tecelagem, as ervas que vicejam no quintal, a voz recuperada que abre portais para outros mundos, o pão e a alquimia nas panelas.
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