Filosofia para quem não é filósofo: os melhores livros para começar
A filosofia parece intimidadora, mas suas perguntas são as mais humanas que existem. Uma seleção de livros que tornam o pensamento filosófico acessível, relevante e fascinante.
Uma Arqueologia do Corpo nos Manuais Escolares Franceses de Moral e de Higiene (1880-1974)
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Manuais de higiene e de moral. Na forma de livro, de letra, de discurso, uma prescrição sobre e para o corpo: “os manuais são um verbo dirigido à carne, com o objetivo de civilizá-la e ordená-la, desde a mais tenra idade e provavelmente de forma bastante constante”. Os manuais apontam sobre o que pode e o que não pode o corpo; dizem sobre o que se deve e o que não se deve fazer com os desejos. Educar o corpo é também e, sobretudo, educar suas vontades – educando seus órgãos, tecido, pensamento. Controlar vícios e pecados. Nada escapa e tudo lhe dá contorno: o asseio, a sobriedade, a temperança, o trabalho, o exercício físico, a saúde. Jacques Gleyse, com uma pujante pesquisa sobre os manuais franceses publicados entre fins do século XIX até os anos 1970 do século XX, nos conta como, com eficácia, o verbo pousou na carne, controlando-a e domesticando-a, constituindo um potente discurso de biopoder. Andrea Moreno Professora Titular da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais
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