Como acompanhar a leitura dos alunos sem aplicar prova
A prova de livro é um termômetro ruim: só mede quem leu o resumo. Conheça métodos que avaliam a leitura de verdade e ainda aumentam o engajamento dos alunos.
2ª Edição (Biblioteca Rubem Alves)
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Autor com mais de 170.000 exemplares vendidos! Eu sou um contador de estórias. Neste livro estão estórias da minha infância, nas Minas Gerais. Muitas delas eu não vivi. Eu as ouvi, contadas por outros. E pelo ouvido tornaram-se minhas. Por que haveria alguém de se interessar pelas estórias de um velho? Porque todos fomos crianças. Todos andamos pelos mesmos lugares. Para Bernardo Soares, arte é comunicar aos outros nossa identidade íntima. As almas são iguais. É o que torna possível a comunicação. Alguém disse que a palavra queijo só tem sentido para alguém que já comeu queijo. Não é possível comunicar o gosto e o cheiro do queijo a quem nunca comeu um. A literatura é possível porque todos já comemos queijo. Todas as nossas infâncias são variações sobre os mesmos temas. As memórias de um outro fazem ressoar, naquele que as lê, o seu próprio passado adormecido. Assim, não se trata de um encontro com as memórias de um outro, diferentes das minhas. Trata-se de um reencontro com o meu próprio passado. Se isso não acontecesse, o texto escrito seria um texto morto. Murilo Mendes nos lembra que todos os textos são feitos com pedaços do escritor. Acho que isso é verdadeiro no caso dessas minhas memórias. Posso então dizer que são o meu sangue, o meu corpo. Peço, portanto, aos meus leitores, que me leiam antropofagicamente...É a antropofagia que nos torna iguais. Antropofagia é eucaristia...
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