Como ler mais livros: 10 hábitos dos leitores que devoram 50 livros por ano
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
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Concebido no calor da hora, O templo merece lugar entre os grandes livros do período entre as duas guerras mundiais do século XX. Neste romance largamente autobiográfico, que começou a tomar forma em 1929 mas só foi publicado apenas em 1988, cruzam-se a inquietação — erótica, literária, política — do jovem Stephen Spender e a singularidade de um momento histórico — a República de Weimar — em que uma inédita liberdade de costumes florescia à sombra do nazismo já rampante. Crônica ficcional de um verão passado na Alemanha, em companhia dos amigos e escritores W. H. Auden e Christopher Isherwood, bem como do fotógrafo Herbert List, O templo come¬ça como um romance de descoberta, de coming-out homosse¬xual — ao mesmo tempo que retoma, em nova chave, a linhagem do romance de formação. Deixando a Inglaterra para trás, seu protagonista vive uma série de experiências que lhe abrem as portas, até então estritamente cerradas, do corpo e do prazer, longe da culpa e da censura. Mas, ao fio das páginas, a luz vai declinando, o ambiente ganha tons cada vez mais ameaçadores, e O templo converte-se num notável e precoce estudo da ascen¬são do nazismo, capturada aqui em sua mistura abjeta de delito e política, ressentimento íntimo e perseguição pública.
Sir Stephen Spender nasceu em Londres, em 1909. Após passar por várias instituições de ensino, ingressou na Universidade de Oxford, onde travou amizade com dois jovens escritores que mudariam o curso de sua vida: W. H. Auden e Christopher Isherwood. Ao longo da década de 1930, engajou-se em diversas frentes contra a ascensão do fascismo na Europa, cobrindo, por exem¬plo, a guerra civil na Espanha para o jornal Daily Worker. Ao mesmo tempo, cultivava uma vasta gama de amizades literárias, de T. S. Eliot a André Malraux e Ernest Hemingway, passando por artistas como Picasso e Henry Moore. Ainda durante a década de 1930, teve diversas ligações amorosas com homens e mulheres, em especial com Tony Hindman, Muriel Gardiner, Inez Pearn e Natasha Litvin (com quem se casou em 1941 e teve dois filhos). Durante a Segunda Guerra Mundial, per¬maneceu em Londres, trabalhando nas brigadas anti-incêndio. Após 1945, afirmou-se como um dos grandes poetas ingleses do século XX, trabalhando também como editor e publicando ensaios, contos, romances, traduções e reportagens. Tomando distância de suas primeiras simpatias comu¬nistas, seguiu participando da vida pública em iniciativas contra a censura e a discriminação da ho¬mossexualidade. De 1970 a 1977, ensinou no University College London e, em 1983 recebeu da Coroa o título de cavaleiro. Em 1988, publicou a primeira edição de O templo, depois de rever a fundo o manuscrito original iniciado em 1929. Faleceu em Londres, em 1995.
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