Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Endereço certo para todos os tipos de aventura, a fama do Picapau Amarelo se espalha pelo mundo da fantasia, a ponto de despertar nos principais personagens das histórias infantis o desejo de trocar reinos encantados pelo sítio. Pequeno Polegar escreve uma carta à Dona Benta pedindo abrigo a todos os habitantes das fábulas. A turma fica eufórica com a novidade, sem imaginar o tamanho da confusão que estaria por vir. Peter Pan, Dom Quixote, Chapeuzinho Vermelho e muitos outros, além de criaturas da mitologia grega, misturam-se em surpreendentes aventuras. Até um segundo casamento para Branca de Neve é organizado, com Emília assumindo o lugar do Cupido.
Um século nos separa do Monteiro Lobato escritor, tradutor, editor e ativista. Nascido em 1882, o menino cresceu entre os livros da imensa biblioteca do avô, instalada no sítio da família em Taubaté, no interior de São Paulo. E foi assim que ele moldou a essência de sua produção literária e de seu pensamento, nitidamente marcado por uma encruzilhada: de um lado, a memória afetiva da vida interiorana; de outro a necessidade de construir um país cosmopolita. Essa é a chave que identificamos em suas obras. Na modernidade de Lobato, livro era objeto de consumo, demandava profissionalização e infraestrutura para disseminar a leitura pelo Brasil. Não por acaso, em suas histórias os livros são personagens constantes - quase um pó de pirlimpimpim a levar para outros mundos. Lobato foi revolucionário. Até a menina do Nariz Arrebitado (1920), contavam -se nos dedos de uma mão os autores brasileiros no gênero. Nossa literatura infantil praticamente nasce com ele, em sintonia com o projeto de libertar o atraso de um país que devia ser feito com os “homens e livros” de sua frase famosa.
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