Como usar a leitura para aprender (ou melhorar) um idioma
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Uma narrativa onírica combinada a paisagens fantasmagóricas constrói o cenário de O litoral das Sirtes (1951), romance considerado a obra-prima de Julien Gracq (1910-2007), um dos principais escritores franceses do século XX. O protagonista é Aldo, filho de uma família aristocrática do país fictício de Orsenna. A cidade-Estado, que vive um cotidiano de morosa decadência, se encontra há três séculos em guerra com uma nação vizinha, o Farghestão. No braço de mar que separa os dois estados, os barcos não ousam passar de uma linha imaginária. Aldo é enviado como observador civil à fortaleza do Almirantado do litoral das Sirtes e vive em estado de contemplação entrecortada por conversas com o pequeno grupo de jovens militares do Almirantado e esporádicos momentos de revolta. Paralelamente, correm rumores de conspiração no mundo externo. O cotidiano comporta também encontros sociais. Numa dessas ocasiões, Aldo conhece Vanessa, que traz consigo o estigma de ser descendente de um traidor da pátria.
Julien Gracq (1910-2007) era o pseudônimo de Louis Poirier, nascido em Saint-Florent-le-Vieil, no noroeste da França. Estudou na École Normale Supérieure e na École Libre des Sciences Politiques. Fez carreira de professor de história e geografia em escolas de ensino secundário, profissão da qual se aposentou em 1970. Filiou-se ao Partido Comunista em 1936, mas rompeu com a agremiação três anos depois, em protesto contra o pacto entre Alemanha e União Soviética. Foi convocado a combater na Segunda Guerra Mundial e preso na Alemanha. A primeira obra publicada de Gracq foi o romance O castelo de Argol (1938), dedicado ao pai do surrealismo, André Breton, que viria a ser o tema de um livro inteiro de Gracq em 1948. Um ano antes de “O litoral das Sirtes”, Gracq publicou “A literatura no estômago”, uma dura crítica à ingerência de assuntos comerciais no mundo literário. Apesar de seu apreço pela reclusão, Gracq provocou grande repercussão ao recusar o Goncourt, principal prêmio literário francês, por “O litoral das Sirtes”, em coerência com as críticas expostas em “A literatura no estômago”. Gracq deixou de escrever ficção depois de 1970, passando a publicar volumes de memórias, anotações e fragmentos.
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