Filosofia para quem não é filósofo: os melhores livros para começar
A filosofia parece intimidadora, mas suas perguntas são as mais humanas que existem. Uma seleção de livros que tornam o pensamento filosófico acessível, relevante e fascinante.
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Com ensaio de Itamar Vieira Junior, romance da escritora guadalupense Simone Schwarz-Bart acompanha quatro gerações de mulheres negras, fortes e determinadas, em meio a uma descrição exuberante e imaginativa da ilha antilhana Télumée Lougandor é uma força da natureza, cheia de vida e dotada de uma alegria inata, sempre posta à prova por sua condição de mulher negra em Guadalupe. Em Chuva e vento sobre Télumée Milagre ela conta sua história e a de suas ancestrais. O romance é da escritora guadalupense Simone Schwarz-Bart, uma das vozes mais importantes da vigorosa literatura do Caribe, ao lado de nomes como o da romancista Maryse Condé e do pensador Frantz Fanon. Para Itamar Vieira Junior, o romance intensamente poético de Schwarz-Bart revela “uma cosmovisão de mundo profunda narrada com grande paixão”. Para ele, “a narrativa dessa linhagem de mulheres carrega a história de um continente inteiro”. Télumée carrega consigo o conhecimento de um ambiente complexo e das armadilhas que lhe reservam a persistência da espoliação colonial e da lógica patriarcal. A sabedoria vem de uma linhagem feminina que remonta a sua bisavó. São quatro gerações de mulheres fortes, determinadas e forjadas por uma história de adversidades. Das agruras de suas relações muitas vezes brutais com os homens, Télumée encontra alívio na relação com a feiticeira man (madame) Cia, a madrinha que teria poderes extraordinários como se transformar em animais. A jovem negra se cerca de um panteísmo animista que dá o romance também o caráter de uma jornada espiritual.
Simone Schwarz-Bart nasceu em 1938, com o sobrenome Brumant. Passou os três primeiros meses de vida em Metz, na França, onde seu pai militar se encontrava em missão diplomática. Em seguida a família voltou para Guadalupe. A futura escritora começou seus estudos ali, em Pointe à Pitre, e depois em Paris e Dakar, no Senegal. Conheceu o escritor André Schwarz-Bart em Paris, em 1959, e com ele escreveu Un plat de porc aux bananes vertes (1967), que traça um paralelo entre os exílios dos negros e dos judeus. Durante algum tempo foi dona de uma loja de artigos caribenhos e de um restaurante na França. Quando passou a se dedicar exclusivamente à literatura, escreveu, em 1973, Chuva e vento sobre Télumée Milagre, que obteve no mesmo ano o prêmio das leitoras da revista Elle, e em 1979 o romance Ti Jean L’horizon. Após um silêncio bastante longo, escreveu em 1987 uma breve peça teatral, Ton beau capitaine, uma meditação. Em 1989, Simone e André redigiram uma enciclopédia em seis volumes, Hommage à la femme noire, que reúne as biografias de heroínas negras apagadas da historiografia oficial. Aos 85 anos, Simone Schwarz-Brat vive em Goyaye, em Guadalupe. Um de seus dois filhos, Jacques Schwarz-Bart, conhecido também como Brother Jacques, é saxofonista de jazz em Nova York, com uma extensa discografia.
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