A edição atualizada O Guesa, poema épico em doze cantos e um epílogo, de Sousândrade, foi realizada pela pesquisadora Luiza Lobo, com revisão técnica de Jomar Moraes, com o apoio da Academia Maranhense de Letras. Apresenta, pela primeira vez, o texto estabelecido em português atual e de acordo com a reforma ortográfica de 2009. As quatro edições anteriores do poema completo eram fac-similares. Sem dúvida o poema se tornará muito mais acessível, conforme aponta o acadêmico Antonio Carlos Secchin na quarta capa, quando afirma que “é dos livros mais citados e menos lidos do Romantismo brasileiro”.
O Guesa já foi tido por pré-modernista por Augusto e Haroldo de Campos, que o compararam ao imagismo de Pound. Afirma Benjamin Abdala Júnior que a literatura é feita de impactos, descontinuidades, subconjuntos, que variam com os tempos. Se algo sobrevive em Sousândrade, desde o romantismo, é sua capacidade de impactar o leitor. Não só pelo estilo “metafísico-existencial”, nas palavras dos Campos, como, também, segundo acentua a pesquisadora, na sua antevisão de uma América unida através do ideal então revolucionário de uma república democrática. E, principalmente, pela concepção de um indianismo que ultrapassasse as fronteiras do nacional, apontando um universalismo cultural sem fronteiras, hoje considerado fundamental para um mundo sustentável.