Afetando as artes e a literatura, o cubismo foi inicialmente um fenômeno parisiense, embora com muitos protagonistas internacionais, antes de se difundir por outros países. Nesta obra, ilustrada por mais de duzentas reproduções coloridas, Serge Fauchereau propõe uma leitura abrangente, ao mesmo tempo que explora as variações originais injustamente negligenciadas ou desconhecidas do movimento. Via de regra, os críticos e historiadores apontam Les Demoiselles D Avignon, tela de Pablo Picasso de 1907, como o marco inicial do cubismo. A obra estabelece uma ruptura radical e evidencia a transição a um "período negro" na produção do artista. No entorno de Picasso já gravitavam figuras como Georges Braque, Juan Gris, Albert Gleizes, Jean Metzinger, Guillaume Apollinaire, Blaise Cendrars e André Salmon, entre outras, assim como personagens que se mostrariam decisivos para a sua expansão, como os negociantes de arte Henri Kahnweiler e, depois, Léonce Rosenberg. O cubismo logo impôs uma certa iconoclastia no status quo das artes. A novidade se caracterizava pela adoção (e combinação) de procedimentos extrapicturais, extraliterários e extramusicais, que levaram à uma revolução estética dos procedimentos artísticos então correntes.
Sobre Serge
Após lecionar literatura americana na Universidade de Nova York, e depois no Texas, Serge Fauchereau trabalhou por mais de uma década no Centre Pompidou em Paris como comissário de grandes exposições (Paris-Nova York, Paris-Berlim, Paris-Moscou, Os Realismos, etc.). Hoje exerce funções em parceria com diversas instituições e importantes museus internacionais, como o Palazzo Grassi em Veneza (exposição sobre o futurismo), o Kunsthalle de Bonn (exposição Europa-Europa), e o Tate Modern de Londres (exposição Century City). Serge Fauchereau é autor de cerca de trinta obras, entre as quais Lecture de la poésie américaine [Somogy, 1998], Hommes et Mouvements esthétiques du XXe siècle [Cercle d’Art, 2003] e Mexique-Europe: Allers-Retours 1910-1960 [Cercle d’Art, 2004], além diversas monografias (de Braque, Kupka, Mondrian, Léger, Malevitch, Brancusi). Mais recentemente publicou o notável Avant-gardes du XXe siècle [Flammarion, 2010] e Les peintres mexicains [Flammarion, 2013]. Prepara, para setembro de 2015, uma exposição de prima importância sobre Tristan Tzara e os movimentos do dadá e do surrealismo no Museu de Arte Moderna de Estrasburgo, na França. Também está em vias de publicar um livro sobre o fim das vanguardas.