Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
Todo leitor apaixonado já passou pela frustração: indicou um livro que mudou sua vida e a pessoa achou chato. Aprenda a recomendar de forma que realmente funciona, e preserve a amizade.
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Entre traumas, dores e desejos, Antonio Arruda tece uma narrativa híbrida que atravessa conto, poesia e reflexão filosófica, sempre cortante, sempre em movimento. O ponto de partida é visceral: a morte do pai, corroído por um câncer que rouba a sua voz ao mesmo tempo em que dá origem à voz do filho-escritor. É dessa ausência que nasce uma literatura de enfrentamento, onde erotismo, violência e misticismo se entrelaçam. As fissuras em cada página – na memória, no corpo, nas palavras – de O Corte que Desafia a Lâmina revelam tanto feridas quanto epifanias. Diante da impossibilidade de uma cicatrização real, ou ao menos a descrença numa recuperação completa, o autor desdobra a vida em ficção, evocando a palavra como cicatriz. A marca na pele-folha, na carne-livro de um percurso estético-poético-filosófico que, se cessar de sangrar, morre.
Antonio Arruda nasceu em 1977. É mestre em Teoria Literária e Literatura Comparada (USP). Atuou como jornalista, em veículos como Folha de S. Paulo, trabalha como educador há 24 anos e, há 14, no segmento audiovisual. Entre outros trabalhos, fez parte da equipe de roteiristas das duas temporadas de Cidade Invisível (Netflix Brasil) e foi consultor criativo da série Santo (Netflix Espanha/Brasil). Assina como corroteirista o longa-metragem O Mel é mais doce que o sangue, de André Guerreiro Lopes, inspirado nos poemas de Lorca.
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